Quando pensamos em problemas de saúde pública que causam grande impacto na qualidade de vida, muitas vezes esquecemos de uma realidade silenciosa, mas extremamente comum: as feridas crônicas nas pernas. Quem não conhece um familiar, vizinho ou paciente que convive com uma lesão na perna que parece nunca cicatrizar?
Em uma recente transmissão promovida pelo Coren Bahia (no programa Coren Qualifica Digital), a enfermeira dermatológica Amanda Gaspar trouxe uma atualização fundamental sobre Úlceras Venosas e Arteriais, gerando um debate necessário sobre como a enfermagem pode oferecer uma assistência de alto desempenho para transformar essa realidade.
Abaixo, separamos os principais pontos abordados nesse encontro informativo para você entender a gravidade do problema e o papel da qualificação profissional.
Um dos momentos mais marcantes da discussão envolveu o tempo que muitos pacientes passam convivendo com essas lesões. Relatos do chat da transmissão mostraram uma realidade assustadora: profissionais de saúde cuidam de pacientes com úlceras venosas abertas há mais de 10 ou até 20 anos.
Esse cenário gera duas graves consequências:
Impacto no Sistema de Saúde: Pacientes que passam décadas em tratamento representam um custo financeiro altíssimo e contínuo para o SUS. Muitas vezes, esse gasto prolongado ocorre devido à falta de curativos tecnológicos adequados ou à carência de profissionais devidamente capacitados para o manejo correto dessas lesões.
Impacto na Vida Social e Emocional: Conviver com uma ferida por anos destrói a rotina do indivíduo. A dor, o odor e a dificuldade de locomoção isolam o paciente. Eles deixam de ir à praia, a um barzinho ou de ter uma vida social ativa, o que afeta drasticamente a saúde mental.
A professora Amanda Gaspar reforçou que o tratamento de feridas mudou. Não basta apenas olhar para o curativo ou para a lesão de forma isolada; é preciso avaliar o paciente como um todo.
O Exemplo da Glicemia: Se o paciente possui uma úlcera venosa, mas também é diabético e está com os níveis aceitáveis de glicose descontrolados, a cicatrização dificilmente vai acontecer.
O Tratamento Integral: Tratar uma ferida com eficácia exige entender quem é o paciente por trás daquela lesão, investigando seus hábitos, suas comorbidades e seu contexto clínico de forma sistêmica.
A área de dermatologia e o tratamento de feridas evoluem de forma extremamente rápida. Novas coberturas (curativos) surgem no mercado, diretrizes clínicas são revistas e normativas legais mudam a todo momento.
A mensagem final para os profissionais da enfermagem foi clara: a enfermagem é feita de constantes mudanças. Para garantir uma assistência de alto desempenho e devolver a dignidade a esses pacientes, é fundamental buscar a qualificação contínua, acompanhar as novas resoluções e entender as tecnologias disponíveis no mercado de trabalho.