A enfermagem é frequentemente definida pela vocação, pela dedicação incansável e pela capacidade humana de oferecer alívio no momento de maior vulnerabilidade do outro. No entanto, por trás do jaleco e da rotina intensa dos hospitais e unidades de saúde, existe uma realidade muitas vezes invisível: a dor, o desgaste físico e a carga emocional suportados diariamente por esses profissionais.
No vídeo institucional publicado pelo Coren-MG (Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais), intitulado “Quem é capaz de sentir a dor da Enfermagem na pele?”, somos convidados a fazer uma reflexão profunda sobre a humanidade dos profissionais de saúde e a urgência de cuidar de quem dedica a vida ao cuidado alheio.
Uma das falas mais marcantes e emocionantes trazidas na publicação sintetiza com precisão o sentimento de milhares de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem:
“A gente sai de casa para trabalhar e às vezes a gente se encontra nessa situação… a gente vai para cuidar e a gente acaba tendo que se cuidar.”
Essa reflexão revela a tênue linha em que a enfermagem se encontra diariamente. O estresse de longos plantões, o enfrentamento do sofrimento humano, a sobrecarga de trabalho e a falta de infraestrutura adequada geram um impacto direto na saúde física e mental da categoria.
Muitas vezes, a visão romantizada da enfermagem como um “sacerdócio” ignora que profissionais de saúde também adoecem, sentem exaustão, enfrentam a fadiga por compaixão (burnout) e precisam de amparo institucional e emocional.
O questionamento proposto pela campanha — quem é capaz de sentir essa dor na pele? — busca despertar a empatia não apenas da sociedade, mas de toda a rede de saúde e dos gestores públicos e privados.
Sentir a dor da enfermagem na pele significa:
Reconhecer a sobrecarga diária: Compreender que o cuidar exige esforço físico e desgaste psíquico extremos.
Valorizar as condições de trabalho: Defender jornadas justas, ambientes de trabalho seguros, descanso adequado e dimensionamento correto de pessoal.
Desmistificar a invulnerabilidade: Entender que pedir ajuda ou adoecer não é sinal de fraqueza, mas um reflexo das exigências impostas à profissão.
Mobilizações e campanhas trazidas por conselhos de classe como o Coren-MG cumprem um papel fundamental para dar visibilidade a esses dilemas. Mais do que reconhecer a dedicação da enfermagem, é indispensável transformar a sensibilização em ações concretas:
Implementação de programas de suporte psicológico: Oferecer escuta qualificada e acompanhamento em saúde mental dentro do ambiente hospitalar e nas redes assistenciais.
Promoção de ambientes de trabalho humanizados: Reduzir a precarização das relações trabalhistas e garantir espaços adequados de repouso e convivência.
Estímulo à cultura de autocuidado: Incentivar que os próprios profissionais reconheçam seus limites e priorizem a sua saúde física e psíquica.
A enfermagem é a espinha dorsal de qualquer sistema de saúde. Para que a assistência prestada à população continue sendo segura, eficaz e humanizada, é preciso garantir que quem está na linha de frente receba a mesma atenção, respeito e cuidado que oferece todos os dias.