Quem nunca sentiu orgulho da rotina na saúde e teve vontade de compartilhar um registro nas redes sociais? Um plantão bem-sucedido, a superação de um paciente querido ou a união da equipe de enfermagem dão posts lindos. Mas, no ambiente de saúde, um “simples clique” envolve barreiras éticas e legais sensíveis.
O Coren-SP publicou um alerta essencial na sua série de vídeos rápidos (as chamadas Pílulas de Conhecimento), reforçando como os profissionais devem agir para garantir a privacidade dos pacientes e proteger a própria carreira.
Vamos traduzir os pontos principais para você nunca errar na hora de postar!
A regra de ouro é clara: o hospital, a clínica ou a UBS não são cenários de entretenimento. Pacientes que estão sob os seus cuidados encontram-se em um momento de vulnerabilidade física e emocional.
Exposição Zero: É expressamente proibido expor imagens sensacionalistas de pacientes, mesmo que a intenção pareça positiva (como comemorar uma alta).
O “Ok” Verbal Não Basta: Pensou que aquela selfie rápida com a autorização verbal do paciente estava liberada? Não está. De acordo com a Resolução Cofen nº 554/2017, qualquer divulgação de imagem de pacientes exige autorização prévia por escrito, detalhando a finalidade, e garantindo que isso não trará nenhuma consequência negativa para ele.
Atenção Redobrada com Crianças: Quando o assunto envolve recém-nascidos e crianças na pediatria ou centro obstétrico, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) entra em ação. Preservar a imagem e a identidade deles é uma obrigação constitucional.
O direito de imagem é uma via de mão dupla. Da mesma forma que você deve proteger quem cuida, você também tem o direito de ser respeitado.
Se um paciente ou acompanhante começar a filmar ou fotografar você durante um procedimento sem o seu consentimento, você pode, de forma cordial e firme, explicar que não autoriza o registro da sua imagem. A legislação brasileira (artigo 5º da Constituição e o Código Civil) protege a vida privada e a honra de todo cidadão — e isso inclui você durante o seu plantão.
Se a situação passar dos limites e sua imagem for divulgada de forma indevida ou ofensiva na internet, o profissional tem o direito e o dever de acionar os órgãos competentes.
Para garantir que suas redes sociais continuem sendo um espaço de orgulho profissional e livre de dores de cabeça jurídicas, siga este checklist:
Evite fotos no posto de enfermagem ou leitos: Mesmo que o foco seja você, um prontuário aberto ao fundo ou um paciente aparecendo de relance no corredor quebra o sigilo profissional.
Separe o pessoal do profissional: Evite opinar de forma agressiva ou usar termos ofensivos vestindo o uniforme ou identificando a instituição onde trabalha.
Foque no conhecimento: Quer postar sobre enfermagem? Compartilhe dicas de estudo, rotinas de autocuidado pós-plantão (sem expor o ambiente restrito) ou conquistas acadêmicas.
Lembre-se: O descumprimento dessas regras nas redes sociais não gera apenas “dor de cabeça”. No âmbito ético, civil e penal, o profissional pode responder por violação de direitos, injúria ou difamação, resultando em multas, sanções administrativas e até processos judiciais.
Cuidar também significa proteger a imagem — a sua e a de quem confia a vida nas suas mãos.