Bastidores da Saúde: Como a ciência está salvando vidas em casos de grandes traumas.
Quando pensamos em acidentes graves e grandes traumas, a agilidade no atendimento é a primeira coisa que vem à mente. Mas você sabia que a hemorragia (o sangramento severo) é a principal causa de choque nesses pacientes? Pois é, ela sozinha responde por 30% a 40% das mortes nessas situações críticas.

Para mudar essa realidade e dar mais chances de sobrevivência aos pacientes, pesquisadores do Ceará desenvolveram e validaram uma ferramenta que promete transformar o atendimento de emergência: o Protocolo MHEG (Protocolo de Gerenciamento e Manuseio da Hemorragia Grave no Trauma).
Além de organizar o atendimento, o projeto teve outro grande mérito: expandir o uso da RIOS (Recuperação Intraoperatória de Sangue), uma técnica incrível que permite “recuperar” o sangue do próprio paciente durante cirurgias no tórax e abdômen, reduzindo a necessidade de transfusões externas.
A pesquisa foi realizada entre outubro de 2018 e julho de 2019 no Núcleo Transfusional (NUTRAN) de um hospital público de alta complexidade no Ceará. Não foi um trabalho feito do dia para a noite. Para garantir que o protocolo fosse realmente seguro e eficiente, os pesquisadores seguiram passos rigorosos:
Revisão de Conteúdo: Estudaram a fundo tudo o que existe de mais moderno sobre o assunto.
Diretrizes Internacionais: Utilizaram o AGREE, uma ferramenta mundialmente reconhecida para a construção de diretrizes clínicas.
Validação de Especialistas: O protocolo foi submetido ao crivo de um comitê de “juízes” — médicos e enfermeiros especialistas em emergência, anestesiologia, hemoterapia e cirurgia.
O resultado não poderia ser melhor. Os especialistas avaliaram o material por meio de um formulário eletrônico e a aprovação foi esmagadora.
O Protocolo MHEG alcançou uma pontuação superior a 91% na classificação de qualidade geral.
Todos os juízes concordaram que o protocolo está pronto para ser usado no dia a dia dos hospitais e o recomendaram como uma tecnologia assistencial indispensável para o atendimento de pacientes politraumatizados.
Na prática, a validação do Protocolo MHEG significa que as equipes de saúde agora têm um “passo a passo” blindado pela ciência para agir rápido quando o sangramento é grave. É mais segurança para os profissionais, maior eficiência no uso de recursos hospitalares e, acima de tudo, mais vidas salvas na mesa de cirurgia.