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Primeiros Passos: Aproximando o Futuro Profissional de Enfermagem do Coren PR

1 de julho de 2026 por filipesoaresImprimir Imprimir


O objetivo principal do projeto é aproximar os estudantes (de nível técnico e graduação) e os recém-formados de seu conselho de classe, desmistificando a imagem do órgão e oferecendo suporte no início da carreira.

O que é o Projeto “Primeiros Passos”?

Coordenado pela conselheira Érica Quiarelo, a iniciativa nasceu da percepção de que muitos profissionais formados passam anos sem entender a real função do Coren. O projeto foi estruturado do zero nesta gestão, ganhando regimento interno e metodologias bem definidas. Ele atua em duas frentes principais:

  • Visitas Técnicas e Palestras: O Coren-PR abre seu auditório para receber turmas de estudantes ou vai até as instituições de ensino (sem custos). Nessas ocasiões, são explicadas as legislações básicas, o Código de Ética e as funções finalísticas do conselho.

  • Entrega Antecipada da CIP (Carteira de Identidade Profissional): Baseado na Resolução Cofen 769/2024, o projeto possibilita que o estudante do último período realize o trâmite documental para receber sua carteira profissional diretamente na solenidade de colação de grau, permitindo que ele saia pronto para o mercado de trabalho.

Coren vs. Sindicato vs. Associação

Um dos pontos altos do debate foi a explicação didática sobre o papel de cada entidade reguladora, já que muitos profissionais confundem suas funções:

Entidade Função Principal Adesão
Conselho (Coren/Cofen) Criado por Lei Federal para fiscalizar, regulamentar e disciplinar o exercício profissional, garantindo uma assistência segura à sociedade. Obrigatória (Não se pode atuar sem a inscrição/CIP).
Sindicato Defesa dos interesses trabalhistas (salários, pisos salariais, carga horária, acordos coletivos e greves). Voluntária.
Associação (ex: ABEn) Promove a valorização científica e cultural da profissão através de congressos, cursos e eventos. Voluntária.

Nota importante: O Coren apoia a luta por melhores condições de trabalho (está no Código de Ética), mas não pode convocar greves ou negociar salários, pois isso é uma atribuição exclusiva dos sindicatos.

Impactos, Desafios e o “Pé no Chão”

Os participantes da mesa — Denis Carvalho (enfermeiro e docente), Jucinei da Silva (técnico de enfermagem e conselheiro) e Ademir de Santiago (enfermeiro) — compartilharam suas visões práticas sobre o início da carreira:

  • Acolhimento contra o medo: Os estudantes costumam chegar ao Coren com muita insegurança emocional e medo de errar procedimentos (como acessos venosos ou troca de medicações). As palestras utilizam casos clínicos reais para ensinar como agir eticamente e com segurança jurídica.

  • Realidade do mercado: Os conselheiros destacam que não se deve “romantizar” a enfermagem. A rotina de plantões (muitas vezes com jornadas duplas e privação de sono) é exaustiva, e o profissional lidará com o estresse, a dor alheia e pacientes em situações complexas (como surtos ou alcoolismo). O preparo técnico e ético é o que sustenta o profissional nesses momentos.

  • A Enfermagem “24 Horas”: Foi discutido como a enfermagem acaba se tornando um estilo de vida ou sacerdócio. O profissional é acionado pela família em casa, ajuda vizinhos e para na rua ao presenciar acidentes. Por lidar com vidas e não com “papeis que podem ser jogados no lixo”, a busca por excelência deve ser constante.

Conselhos Práticos para os Iniciantes

  • Educação Continuada: Jucinei enfatizou que o estudo não pode parar (citando a “Síndrome de Gabriela”: eu nasci assim, vou morrer assim). Ele incentivou o uso de ferramentas gratuitas como o Cofen Play, que oferece cursos, palestras, livros e revistas para atualização constante.

  • Empatia e Atitude: Estudar para ter conhecimento para agir, mas manter a empatia para ouvir. Ademir deixou uma mensagem forte: “Faça o seu melhor sem esperar gratidão. O maior retorno é colocar a cabeça no travesseiro e saber que você deu o seu melhor.”

  • Olhar para o Interior: O Coren-PR ressaltou que o projeto está se expandindo para o interior do Paraná, alcançando regiões menores e escolas técnicas de periferia que historicamente tinham menos acesso ao conselho.

O episódio encerra reforçando que a atual gestão foca em uma administração participativa e transparente, e que o Coren deve ser visto como a “casa do profissional de enfermagem”, e não como um “bicho-papão” punitivo.