A jornada do desenvolvimento infantil é um dos períodos mais extraordinários e críticos da vida humana. Recentemente, o Coren Bahia, através do programa Qualifica Digital, promoveu uma aula fundamental com a Dra. Iliane Cedra (professora e pesquisadora da UEFS) sobre um tema de crescente relevância na saúde pública: o Transtorno do Espectro Autista (TEA) sob o olhar da enfermagem na primeira infância.
Se você perdeu ou quer relembrar os pontos principais, preparamos este resumo informativo para profissionais e familiares.
A primeira infância é o estágio onde ocorrem as transformações mais profundas. É nessa fase que a neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de criar novas conexões — está no seu ápice. Ambientes ricos em estímulos positivos são essenciais, pois, como destacado na palestra, “não existe ambiente neutro”: tudo o que a criança vivencia molda seu desenvolvimento.
O Transtorno do Espectro Autista é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação e a interação social. A Dra. Iliane reforça que, embora o diagnóstico definitivo muitas vezes venha mais tarde, os sinais podem ser observados precocemente através do acompanhamento dos marcos de desenvolvimento:
Socialização: A criança interage com os pares ou prefere o isolamento absoluto?
Comunicação: Há atraso no balbucio ou na fala? Existe contato visual durante a amamentação ou brincadeiras?
Comportamento: Como o bebê reage a novos estímulos, sons e texturas?
O brincar não é apenas diversão; é uma ferramenta diagnóstica e terapêutica. Através do movimento de sentar, pegar objetos e interagir, a criança desenvolve o campo motor e cognitivo. Para crianças com TEA, o brincar estruturado pode ser a porta de entrada para estimular a socialização e a comunicação que podem estar em atraso.
O enfermeiro é, muitas vezes, o primeiro profissional de saúde a ter contato contínuo com a família, desde o pré-natal até as consultas de puericultura. Esse profissional tem o papel crucial de:
Acolher as famílias: Especialmente as “mães atípicas”, que precisam de suporte emocional e orientação técnica.
Identificar Sinais de Alerta: Perceber atrasos motores ou de linguagem antes que se tornem barreiras maiores.
Promover a Intervenção Precoce: Quanto mais cedo a criança recebe estímulos adequados, melhor será sua qualidade de vida e autonomia no futuro.
O autismo não deve ser visto como um limite, mas como uma forma diferente de processar o mundo. A capacitação contínua, como a promovida pelo Coren Bahia, garante que a enfermagem baiana esteja pronta para oferecer um cuidado humano, técnico e inclusivo.
Como bem lembrado na palestra, o cuidado começa na gestação e se fortalece no olhar atento a cada pequena conquista da criança.