A enfermagem é uma das profissões que sustentam o sistema de saúde brasileiro diária e incansavelmente. Para dar luz às histórias humanas, desafios e conquistas por trás dessa profissão, o projeto Enfermagem em Movimento, apresentado por Luana Rocha, percorre o país para conectar experiências e valorizar quem dedica a vida ao cuidar.
Neste episódio gravado nas ruas e paisagens marcantes de Salvador, Bahia, a conversa é com o enfermeiro, educador e especialista em urgência e emergência Miller Brandão.
Natural do interior do sertão baiano, Miller mudou-se para Salvador aos 16 anos acompanhado de sua irmã para ingressar no ensino superior. Curiosamente, seu primeiro contato acadêmico foi no curso técnico em zootecnia. O ingresso na enfermagem ocorreu de forma inesperada após realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e conquistar uma bolsa de 100% pelo ProUni.
Ao recordar sua infância, Miller relembrou a figura marcante de uma enfermeira que liderava o posto de saúde local, referência de liderança e determinação que o inspirou a abraçar a profissão.
Desde o início de sua jornada acadêmica, Miller direcionou seu interesse para o Atendimento Pré-Hospitalar (APH), atraído pela dinâmica do setor, pela autonomia profissional e pelo desafio de atuar fora do ambiente hospitalar tradicional.
Aprovado em concurso público para atuar no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), ele destaca o preparo técnico e emocional necessário para atuar na emergência pré-hospitalar:
O enfermeiro emergencista é moldado para lidar com o caos de forma equilibrada… É para isso que estudamos e treinamos tanto, para ser calmaria no meio da tempestade.
Ao analisar sua caminhada no quadro De Olho no Retrovisor, Miller relembra o início difícil de sua carreira profissional como enfermeiro trainee, rotina que exigiu intensa dedicação física e mental. Olhar para o passado reforça sua gratidão à enfermagem e o impacto transformador da profissão em sua vida pessoal e comunitária.
Uma das paradas marcantes do episódio ocorre em frente ao Hospital Espanhol, instituição onde estagiou. Na época, Miller percorria mais de 4 quilômetros a pé para economizar na condução até a faculdade, símbolo das renúncias e da resiliência que marcaram sua formação.
No quadro Proibido Estacionar, o debate avança para a imagem e o papel social da enfermagem. Em sua pesquisa de mestrado, Miller analisou a representação da enfermagem nos veículos de comunicação das décadas de 1970 e 1980.
Ele ressalta que a enfermagem atual passa por uma transformação profunda:
Reconhecimento Científico e Técnico: A categoria consolidou-se como essencial na assistência, respaldada por evidências científicas rigorosas.
Construção de Identidade e Valorização: A percepção da sociedade em relação aos enfermeiros evoluiu para o respeito à liderança e ao saber técnico.
Fortalecimento Individual e Coletivo: Além da valorização institucional, o desenvolvimento contínuo da consciência profissional fortalece o pertencimento da categoria.
Projetando o futuro no quadro Siga em Frente, o enfermeiro defende que a elevação do padrão científico e a formação acadêmica rigorosa são os pilares fundamentais para o fortalecimento contínuo da enfermagem. Quanto mais qualificado e direcionado for o profissional entregue ao mercado de trabalho, maior será o benefício direto para a saúde da população e a segurança do paciente.