Há profissões que só notamos quando precisamos, mas existe uma que nunca para, que sustenta, acompanha e insiste, mesmo quando ninguém está vendo: a enfermagem. Responsável por mover o cuidado e transformar vidas diariamente no Brasil, a categoria ganhou um novo espaço de valorização com a estreia do projeto “Enfermagem em Movimento”, apresentado por Luana Rocha no canal Somos Enfermagem TV.
A proposta do programa é colocar o pé na estrada para esvaziar a mala de certezas e preenchê-la com histórias, encontros e trajetórias que não cabem em números, mas que sustentam a saúde do país.
No episódio de estreia, a viagem começa em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, para contar a história de uma das mentes mais brilhantes e dedicadas da saúde pública e da saúde mental brasileira: Bernardete Maria Dalmolin.
Natural de Caiçara, uma pequena cidade do interior gaúcho, Bernardete é filha de agricultores e traz na bagagem a coragem e a determinação de sua família. Graduada entre 1984 e 1988, vivenciou de perto as discussões intensas que moldaram o sistema de saúde brasileiro.
Ao longo de sua carreira, sempre se sentiu atraída pelo mundo subjetivo e pelas dinâmicas familiares e comunitárias. Um atendimento emblemático logo após a sua formação — focado na necessidade de criar vínculo e amparar a dor angustiante de um paciente — foi o ponto de virada que selou seu compromisso definitivo com a saúde mental e a educação.
Olhando para a realidade atual da categoria, Bernardete destaca os imensos avanços técnicos e de produção de conhecimento científico conquistados nas últimas décadas. No entanto, ela deixa um alerta claro: a enfermagem não pode parar.
“Nós lidamos com algo tão precioso, o nosso bem maior, que é a vida. Não podemos nos omitir de aprender nunca, porque o profissional que para está fadado a ser um perigo no campo da saúde.”
A rota do episódio faz uma parada emocionante na Universidade de Passo Fundo (UPF), instituição onde Bernardete atua há mais de 34 anos como docente, pesquisadora e extensionista na área de saúde pública.
Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo: 50 anos após a fundação da universidade, ela se tornou a primeira mulher reitora da instituição, representando com orgulho a força da enfermagem, da saúde e a liderança de gênero no ambiente acadêmico.
Tamanho impacto na profissão rendeu a ela o Prêmio Ana Neri, a mais alta distinção da enfermagem brasileira. O reconhecimento veio por sua atuação em uma vertente pouco explorada na época: uma saúde mental de base comunitária, pautada na liberdade, na inclusão e no respeito à singularidade de cada sujeito, longe dos muros dos antigos manicômios.
Pensando nos próximos passos da profissão, o convite central é olhar para a atenção primária. Para Bernardete, o futuro está em incidir no processo de saúde e doença logo no início da vida — na infância e na adolescência —, garantindo que as pessoas possam envelhecer com qualidade, lucidez e dignidade.
A enfermagem é, indiscutivelmente, a espinha dorsal do sistema de saúde brasileiro. E o projeto Enfermagem em Movimento está apenas começando a colar seus adesivos simbólicos pelo Brasil, provando que essas histórias merecem e precisam ser contadas em todos os cantos do mundo.