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Minicurso “Instrumentos de Trabalho na Gestão Em Saúde”: Estratégia de Educação Permanente para a Qualificação do Trabalho Gerencial do Enfermeiro na Estratégia Saúde da Família

13 de novembro de 2025 por filipesoaresImprimir Imprimir

Educação Permanente em Saúde: o papel do enfermeiro gerente na Estratégia Saúde da Família.


Na Estratégia Saúde da Família (ESF), o trabalho do enfermeiro vai muito além da assistência direta ao paciente. Entre as várias dimensões dessa atuação, destaca-se a função gerencial, que envolve atividades complexas e exige múltiplas habilidades para lidar com o amplo escopo de ações da Atenção Primária à Saúde.

Com o objetivo de fortalecer essa atuação, um grupo de pesquisadores desenvolveu um minicurso voltado à qualificação dos enfermeiros gerentes de equipes da ESF em um município do Oeste catarinense. O projeto também buscou conhecer o perfil desses profissionais, identificar desafios e potencialidades na gestão e na assistência, e promover o debate sobre a qualificação da gestão em saúde por meio de um evento científico.

Como o estudo foi desenvolvido

A pesquisa teve caráter qualitativo, do tipo pesquisa-ação, e contou com a participação de 17 enfermeiros gerentes, com pelo menos seis meses de experiência na função. Os participantes responderam a entrevistas individuais e participaram de rodas de conversa, cujos conteúdos foram analisados por meio da Análise Temática.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 2.630.923) e integrou o projeto “Estratégias para a implantação da Sistematização da Assistência de Enfermagem no cuidado à mulher e à criança na perspectiva da Teoria Transcultural de Madeleine Leininger”, apoiado pelo Edital nº 27/2016 CAPES/COFEN.

Principais achados

Os resultados mostraram que os enfermeiros utilizam uma ampla variedade de instrumentos de trabalho, tanto gerenciais quanto assistenciais.

Entre os instrumentos gerenciais, destacaram-se:

  • Escalas de trabalho;

  • Diretrizes da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ);

  • Ouvidorias;

  • Protocolos assistenciais;

  • Procedimentos Operacionais Padrão (POPs);

  • Matrizes de intervenção;

  • Matriciamento.

Alguns instrumentos foram classificados como comuns às duas dimensões — gerencial e assistencial —, como o planejamento das ações, o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ), relatórios epidemiológicos, reuniões de equipe e sistemas informatizados.

Entre os principais desafios enfrentados pelos enfermeiros gerentes, destacaram-se:

  • Interferências político-partidárias;

  • Falhas na Educação Permanente em Saúde;

  • Sobrecarga de trabalho e rotatividade de profissionais;

  • Dificuldades na articulação da rede de atenção.

Resultados práticos e produtos gerados

A partir dessa pesquisa, foi desenvolvido um produto tecnológico inovador: o minicurso “Instrumentos de trabalho na gestão em saúde”, oferecido gratuitamente pela Plataforma Telessaúde/SC.

O projeto também resultou em dois produtos técnicos:

  • A organização de um Simpósio Internacional sobre Administração de Serviços de Saúde;

  • A criação de um material pedagógico e instrucional, desenvolvido de acordo com as necessidades apontadas pelos enfermeiros e pela Secretaria Municipal de Saúde.

Além disso, foram produzidos dois materiais científicos — um artigo e um capítulo de livro — que ampliam a disseminação dos resultados.

Conclusões e impacto

Os achados reforçam que os enfermeiros gerentes da ESF utilizam uma grande diversidade de instrumentos de trabalho, geralmente voltados a dimensões específicas da gestão ou da assistência. O minicurso e as ações de Educação Permanente em Saúde mostraram-se fundamentais para instrumentalizar esses profissionais, qualificando sua atuação na Atenção Primária à Saúde.

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