O cuidado de enfermagem ao idoso com doenças infecciosas e parasitárias: a importância de um olhar especializado.
O envelhecimento traz consigo novas demandas para os serviços de saúde, e o cuidado ao idoso requer atenção especial — especialmente quando se trata de doenças transmissíveis e parasitárias. Nesse contexto, o papel do enfermeiro é fundamental, e sua qualificação torna-se indispensável para garantir uma assistência segura, humanizada e baseada em evidências.

Foto: Universidade Federal do Oeste da Bahia.
Com o intuito de aprimorar o cuidado à pessoa idosa hospitalizada, uma pesquisa desenvolvida na Clínica de Doença Infecto-Parasitária do Hospital Universitário Lauro Wanderley (UFPB) buscou analisar as evidências científicas sobre diagnósticos e intervenções de enfermagem voltados à população idosa com doenças infecciosas e parasitárias.
Além disso, o estudo teve como propósito identificar quais diagnósticos e intervenções são realmente relevantes no atendimento dessa população e, a partir disso, elaborar um instrumento tipo “checklist” para auxiliar o enfermeiro na Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).
A pesquisa seguiu três etapas principais:
Revisão integrativa da literatura, reunindo estudos sobre diagnósticos e intervenções de enfermagem aplicados a idosos com doenças transmissíveis e parasitárias;
Identificação dos diagnósticos e intervenções considerados relevantes pelas enfermeiras da clínica;
Construção do instrumento final, contendo os diagnósticos e intervenções mais adequados à prática assistencial.
Os dados foram analisados com base em um Índice de Concordância mínimo de 0,9%, garantindo a validade e a confiabilidade das informações. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética sob o CAAE 67103917.6.0000.5188 e Parecer nº 2.190.153.
A revisão integrativa identificou quatro estudos relevantes, publicados principalmente no Brasil, em 2015, e voltados ao contexto de pessoas vivendo com HIV/Aids — com destaque para a população feminina. Esses trabalhos abordaram a classificação de termos e a formulação de enunciados diagnósticos de enfermagem.
Na etapa prática, participaram 13 enfermeiras da clínica, com idades entre 29 e 53 anos e experiência profissional variando de 4 meses a 16 anos. Todas possuíam pós-graduação lato sensu e três, pós-graduação stricto sensu.
Dos 59 diagnósticos e 451 intervenções de enfermagem inicialmente listados, 50 diagnósticos atingiram o índice de concordância mínimo exigido (≥ 0,9%), enquanto nove foram considerados não relevantes para o cuidado ao idoso. Entre as intervenções, 290 foram mantidas e 161 excluídas.
Ao refinar ainda mais os critérios (índice de concordância igual a 1,0%), o instrumento final passou a conter 36 diagnósticos e 102 intervenções de enfermagem.
A criação desse instrumento de apoio à prática clínica representa um avanço importante para o cuidado de enfermagem ao idoso hospitalizado com doenças infecciosas e parasitárias. Além de padronizar o processo de enfermagem, ele contribui para a melhoria da qualidade assistencial e fortalece a autonomia e a tomada de decisão do enfermeiro.
Em um cenário de envelhecimento populacional crescente, investir em ferramentas que aprimorem a prática de enfermagem é fundamental para oferecer um cuidado mais seguro, eficiente e humanizado.