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Cultura de Segurança do Paciente Em Duas Unidades de Saúde do Município de Vitória, Espírito Santo

1 de junho de 2026 por filipesoaresImprimir Imprimir

Segurança do Paciente na Atenção Primária: O que um estudo em Vitória (ES) nos revela?


Quando pensamos em segurança do paciente, a primeira imagem que costuma vir à mente são os grandes hospitais e centros cirúrgicos. Mas você já parou para pensar em como esse tema é tratado nas Unidades de Saúde (US) do seu bairro?

A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada do nosso sistema de cuidado, e entender a cultura de segurança nesse ambiente é fundamental. Para lançar luz sobre esse cenário, um estudo transversal analítico avaliou de perto a realidade de duas Unidades de Saúde no município de Vitória, no Espírito Santo.

Utilizando o renomado questionário internacional Medical Office Survey on Patient Safety Culture (MOSPSC) — desenvolvido pela Agency for Healthcare and Research in Quality —, a pesquisa ouviu quem está no dia a dia do atendimento. Os dados foram analisados estatisticamente e trazem alertas importantes para a gestão pública e para os profissionais da área.

Quem participou da pesquisa?

Ao todo, 93 profissionais de saúde responderam ao questionário. O perfil do grupo revelou que a linha de frente dessas unidades é composta majoritariamente por:

  • Mulheres: 80,4% do total.

  • Jovens adultos: 48% têm entre 20 e 45 anos.

  • Escolaridade: 49% possuem ensino superior completo.

  • Atuação: A categoria profissional mais expressiva foi a de técnicos de enfermagem, representando 22,2% dos participantes.

Os Resultados: Onde o calo aperta?

A pontuação média geral de segurança do paciente nas unidades ficou em 51%. Embora o número pareça equilibrado à primeira vista, o diabo mora nos detalhes: das dimensões analisadas pelo questionário, oito foram classificadas como pontos fracos.

O estudo destacou dois gargalos principais que receberam as piores avaliações dos próprios funcionários:

  1. Pressão e ritmo de trabalho (apenas 19% de aprovação): O esgotamento, a alta demanda e a pressa no dia a dia despontam como o principal risco para a segurança dos processos.

  2. Apoio da liderança e gestão (37% de aprovação): Os profissionais sentem falta de um suporte mais robusto e ativo dos gestores quando o assunto é implementar práticas seguras.

O Diagnóstico Final

A conclusão do estudo é clara: a cultura de segurança do paciente nessas duas unidades ainda é frágil.

Mais do que apenas apontar falhas, o levantamento serve como um chamado urgente para a ação. Fortalecer as discussões sobre o tema na Atenção Primária, criar estratégias que aliviem a sobrecarga das equipes e aproximar a gestão da realidade do atendimento são passos fundamentais. Afinal, cuidar de quem cuida é o primeiro passo para garantir um atendimento seguro e de qualidade para toda a população.

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