Estudo apresenta a construção de um instrumento de Sistematização da Assistência de Enfermagem para a sala de observação do pronto-socorro, alinhado às necessidades dos pacientes e à prática clínica dos enfermeiros.
A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é um elemento fundamental para garantir um cuidado organizado, seguro e de qualidade nos serviços de saúde. No Brasil, sua implantação é obrigatória em todas as unidades que prestam assistência de enfermagem, conforme estabelece a Resolução nº 358 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN).

Na prática, a SAE funciona como uma representação metodológica do processo de trabalho da enfermagem. Ela organiza o raciocínio clínico do enfermeiro, permitindo identificar e diagnosticar as necessidades dos pacientes, definir prioridades e planejar intervenções adequadas, realizadas no momento oportuno. Dessa forma, a assistência deixa de ser fragmentada e passa a seguir um planejamento estruturado e fundamentado cientificamente.
Com esse propósito, o estudo teve como objetivo elaborar um instrumento de Sistematização da Assistência de Enfermagem baseado na teoria das Necessidades Humanas Básicas e no Conjunto de Dados Mínimos de Enfermagem. O foco foi desenvolver uma ferramenta específica para pacientes atendidos na sala de observação do pronto-socorro, garantindo que o instrumento fosse viável e aplicável à realidade do serviço.
A pesquisa adotou um método descritivo e metodológico, desenvolvido em quatro etapas: inicialmente, foi realizada a análise do perfil dos usuários atendidos na sala de observação do pronto-socorro referenciado (PSR); em seguida, elaborou-se um instrumento preliminar; na terceira etapa, ocorreu a construção participativa do instrumento de SAE; e, por fim, realizou-se a formatação final da ferramenta.
O levantamento de dados foi feito por meio da consulta aos prontuários eletrônicos dos pacientes admitidos na sala de observação nos meses de março, abril, agosto e setembro de 2018. A escolha desse período considerou as variações climáticas, que poderiam influenciar a sazonalidade dos atendimentos.
Ao todo, foram analisados 3.196 atendimentos, o que possibilitou traçar o perfil das principais demandas assistenciais. A maior parte dos casos envolveu especialidades clínicas (51,0%), com destaque para clínica médica geral e psiquiatria, seguida pelas especialidades cirúrgicas (46,5%), principalmente cirurgia geral e ortopedia. Observou-se ainda que apenas 22,1% dos pacientes necessitaram de internação. Em relação ao perfil demográfico, a faixa etária mais frequente foi entre 19 e 59 anos (55,6%), com predominância do sexo masculino (51,3%).
Com base nesses dados, foi possível elaborar um instrumento de SAE alinhado às necessidades reais da população atendida. A participação de um grupo focal de enfermeiros contribuiu significativamente para tornar a ferramenta mais prática e aplicável no cotidiano do serviço. No que diz respeito aos aspectos éticos, o estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu e aprovado sob o parecer nº 2.725.145.
Como conclusão, o estudo resultou na construção de um instrumento de Sistematização da Assistência de Enfermagem com rigor científico e desenvolvido de forma colaborativa com os profissionais que irão utilizá-lo. Além disso, a pesquisa possibilitou aprofundar discussões sobre o processo de enfermagem, a SAE e os fatores organizacionais, fortalecendo a autonomia profissional e o reconhecimento do papel do enfermeiro no contexto da assistência em saúde.