Mapeia a produção científica sobre absenteísmo em profissionais de Enfermagem em hospitais de ensino.
Cuidar de quem cuida nunca foi uma tarefa simples. Se você trabalha na área da saúde ou acompanha o dia a dia dos hospitais, já deve ter percebido que o absenteísmo — as famosas faltas e ausências ao trabalho — é um desafio gigante, especialmente para as equipes de enfermagem.

Mas o que realmente faz um profissional de enfermagem faltar ao plantão, principalmente em hospitais de ensino (onde a pressão de ensinar e aprender se soma à rotina caótica do cuidado)?
Para entender o tamanho desse problema, uma nova pesquisa fez um “pente fino” na ciência. Utilizando o método rigoroso de revisão de escopo (seguindo os passos do renomado Joanna Briggs Institute), pesquisadores cruzaram dados de seis grandes bases de dados com a ajuda do aplicativo Rayyan. O objetivo era responder a uma pergunta crucial: Quais fatores estão por trás das faltas desses profissionais?
Depois de analisar 844 publicações, os autores selecionaram 11 artigos essenciais publicados entre 2017 e 2022. E o resultado mostra que o buraco é bem mais embaixo.
O estudo descobriu que o absenteísmo não acontece por um motivo único; ele é multifatorial e se divide em três grandes pilares:
Fatores Organizacionais: Têm a ver com o ambiente de trabalho. Carga horária exaustiva, falta de insumos, dimensionamento inadequado da equipe e o próprio estresse de um hospital escola.
Fatores Individuais: Divididos entre o que dá e o que não dá para mudar. Aqui entram desde problemas de saúde crônicos até hábitos de vida.
Aspectos Externos: Questões que fogem do controle do hospital, mas que impactam diretamente a vida do trabalhador.
O fator gênero em destaque: O estudo trouxe um alerta social importante. Os papéis historicamente atribuídos às mulheres — que ainda acumulam a maior parte da jornada dupla com cuidados da casa e dos filhos — pesam muito no índice de faltas. Como a enfermagem é uma categoria majoritariamente feminina, essa dinâmica social reflete direto nos plantões.
A grande conclusão da pesquisa é que não adianta apenas “anotar” quem faltou. As lideranças de enfermagem e a gestão hospitalar precisam desses dados para desenhar ações de prevenção reais.
O estudo reforça que o mercado precisa urgentemente de novas pesquisas focadas em intervenção — ou seja, testar na prática o que funciona para melhorar a qualidade de vida dessas equipes e, consequentemente, reduzir o absenteísmo. Afinal, proteger a saúde de quem está na linha de frente é o primeiro passo para garantir um atendimento seguro e de qualidade para todos os pacientes.