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Vulnerabilidade Funcional e Queda de Idosos: Quais Fatores Estão Associados?

O envelhecimento humano é uma evolução dinâmica, natural e individual que ocasiona alterações anatômicas, fisiológicas e funcionais no organismo contribuindo para o desenvolvimento de fragilidade no idoso [1], deixando-o suscetível a redução ou perda de sua capacidade funcional. Este processo gradual do envelhecimento físico, funcional, associado à outras dimensões como a emocional, mudanças de papéis sociais e alterações na renda pela aposentadoria, propicia que esta parcela da população se torne mais vulnerável, implicando no aumento ao acesso aos serviços de saúde e assistência social. No entanto, é essencial ter uma visão holística sobre o envelhecer, não focando apenas no aspecto biológico, mas também considerar o cenário sócio histórico em que as pessoas estão inseridas, pois a velhice é o retrato de um processo de modificações não apenas fisiológicas, mas psicológicas, culturais e sociais. As alterações citadas e que ocorrem ao longo da  vida podem ser traduzidas como determinantes sociais e de saúde que contribuem para o surgimento do quadro de vulnerabilidade.

Vulnerabilidade Funcional e Queda de Idosos: Quais Fatores Estão Associados?

Vulnerabilidade Funcional e Queda de Idosos: Quais Fatores Estão Associados? Foto: Divulgação

A vulnerabilidade física também integra um aspecto importante e multidimensional a ser avaliado no processo de envelhecimento, entendido como um processo de risco nas condições gerais de saúde, resultante de recursos sociais, econômicos, familiares, psicológicos, cognitivos e ou físicos. Devido à ação desses fatores genético-biológicos, psicológicos e socioculturais, os idosos representam um  grupo especialmente exposto à vulnerabilidade, que difere de outras fases do ciclo de vida.

Entretanto, a vulnerabilidade social sensibiliza de diferentes formas e intensidade os indivíduos, grupos e comunidades em planos distintos de seu bem-estar. É decorrente de fatores como a aposentadoria, diminuição de renda, discriminação, isolamento social e familiar e deficiência nas políticas públicas para suporte desses idosos. Sendo considerada dinâmica, não implica apenas pobreza relacionada à renda, mas compreensão dos eventos que danificam as relações sociais, culturais, políticas e econômicas. Melhorar essa compreensão colabora para diminuir de vulnerabilidade.

Vulnerabilidade Funcional

Medidas de avaliação da vulnerabilidade são instrumentos importantes para distinguir pessoas idosas com risco aumentado de deterioração da saúde, sendo um alvo importante para a intervenção interdisciplinar. Identificar as pessoas vulneráveis, com risco de declínio funcional e incapacidade é crucial na construção e na priorização de um cuidado adequado.

Contudo, destaca-se que tanto as alterações sistêmicas no organismo quanto o impacto da vulnerabilidade podem aumentar o risco de quedas, estando este entre as principais causas de morbidade e mortalidade na população idosa. Este evento é consequência da perda de massa muscular, enfraquecimento, deficiência de absorção de nutrientes, presença de doenças concomitantes e crônicas, comprometimento da cognição, alterações auditivas e visuais, entre outras que influenciam diretamente no equilíbrio e deambulação.

A queda é o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial com incapacidade de correção em tempo hábil, determinado por circunstâncias multifatoriais comprometendo a estabilidade.

Queda de idosos

Quando o idoso sofre uma queda, essa normalmente vem acompanhada do receio de novas quedas, gerando a diminuição da independência e isolamento social, advindos de possíveis fraturas, entorses e lesões, causando aumento nas hospitalizações, no consumo de serviços sociais e de saúde, e óbito.

Vários autores enfocam que a queda é um evento multifatorial influenciado por fatores intrínsecos, tais como: alterações fisiológicas, anatômicas, doenças crônicas, efeitos de medicamentos; ou fatores extrínsecos tais como: condições ambientais e sociais que impõe desafios aos idosos.

Destaca-se que a incidência de quedas aumenta significativamente com o avançar da idade. Mulheres e idosos com 75 anos de idade ou mais, apresentam maior risco de cair. Este fenômeno pode ser explicado pela maior fragilidade das mulheres e pessoas mais velhas, prevalência de doenças crônicas, consumo de medicações e longevidade das mulheres em relação aos homens.

Políticas públicas

Em termos de políticas públicas, a Portaria Nº 2.095 [2], de 24 de Setembro de 2013 do Ministério da Saúde, dispõe sobre o Protocolo de Prevenção de Quedas que visa instituir ações para a segurança do paciente em serviços de saúde e a melhoria da qualidade em caráter nacional. Devem ser utilizados em todas as unidades de saúde do Brasil, podendo ser ajustados a cada realidade. As políticas de prevenção e promoção dos cuidados de quedas na população idosa, propõem mecanismos para investigar as causas das quedas, bem como estratégias para o enfretamento das situações encontradas.

A Enfermagem atua nesse contexto como agente importante para a melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas, por meio de cuidados específicos, seja na avaliação dos fatores de risco para quedas ou nas orientações (práticas educativas) voltadas para a prevenção destes eventos.

Nesta perspectiva este estudo questiona: quais fatores estão associados entre vulnerabilidade e quedas nos idosos? E apresenta como objetivo analisar se há associação entre o nível de vulnerabilidade funcional com a ocorrência de quedas, as condições sociodemográficas  e as de saúde.

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