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Violência Ocupacional no Cotidiano de Profissionais de Enfermagem no Setor de Emergência

Segundo a Organização Mundial de Saúde, há indícios de que a violência sempre esteve presente nas relações humanas. Sua manifestação dá-se de forma complexa e é resultado de uma série de fatores individuais, sociais, culturais e ambientais, em que a vítima tem como resultado algum tipo de dano, que pode ser de natureza individual, social ou coletiva.

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Violência Ocupacional no Cotidiano de Profissionais de Enfermagem no Setor de Emergência. Foto: Divulgação.

No setor saúde, trata-se de um grave problema de saúde pública, uma vez que a violência sofrida por profissionais de saúde corresponde a 25% dos episódios violentos no trabalho. Define-se a violência ocupacional como o uso do poder abusivo capaz de causar qualquer malefício ao trabalhador, que vão desde a privação, agressão física, até a morte e causa gera sérios danos ao bem estar físico, psicológico, financeiro e social ao trabalhador e seus familiares.

Para Bordignon e Monteiro, os profissionais de saúde são mais propensos a sofrerem violência ocupacional por lidarem com pessoas que estão vivenciando um momento de extrema vulnerabilidade. A sensibilidade provocada pelo adoecimento pode fazer com que pacientes e cuidadores apresentem um comportamento exacerbado e agressivo.

Muzembo e colaboradores acrescentam que o risco de sofrer violência varia de acordo com o local de trabalho, com destaque para os setores de emergência e psiquiatria que apresentam maior incidência de episódios violentos. A problemática se intensifica porque as ações de violência praticadas nos serviços de urgência são mais toleradas pelo governo, sociedade e organizações quando comparadas aos outros ambientes da assistência.

Violência ocupacional

A violência ocupacional é responsável pelo surgimento de algumas doenças como a síndrome Burnout [1] e transtornos psíquicos de menor intensidade. Os episódios violentos interferem no cuidado prestado pelo profissional, haja vista que os bons resultados da assistência à saúde são reflexos, dentre outras coisas, do bem-estar físico e mental dos trabalhadores de saúde.

Pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo, Brasil revelou que 77% dos profissionais pesquisados são agredidos no trabalho, sendo que o paciente é o principal agressor devido as condições e demora no atendimento, o que reflete o tamanho da problemática. Dada essa complexidade, o estudo deste tema é um grande desafio, considerando que por muito tempo, pouca atenção foi dada a violência ocupacional sofrida pela enfermagem. Isso contribuiu na consolidação de um cenário onde a incidência cresce de forma expressiva nos estabelecimentos de saúde, sobretudo em setores complexos como a emergência.

Além disso, o objeto conta com pouca produção científica. Após uma busca nas bases de dados Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline) e Base de Dados de Enfermagem (BDENF [2]) em agosto de 2018, com os descritores “violência no trabalho” e “pessoal de saúde”, combinados entre si pelo operador booleano “AND”, foram encontradas 196 publicações relacionadas ao tema. Contudo, apenas 21 pesquisas foram realizadas no setor de urgência e emergência no Brasil, sendo que, nenhum estudo foi desenvolvido na região sudoeste da Bahia, o que confere ineditismo ao objeto.

Nesse contexto, o presente estudo foi guiado pela seguinte questão norteadora: qual a percepção de profissionais de enfermagem acerca da violência ocupacional e como ela se manifesta no cotidiano de trabalho? Para responder tal problemática, delimitou-se como objetivo descrever a percepção do profissional de enfermagem da Unidade de Pronto Atendimento acerca da violência ocupacional e compreender como ela se manifesta no cotidiano desses profissionais em um setor de urgência e emergência.

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