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Vacinação Como Demanda Programada: Vivências Cotidianas de Usuários

O cuidado de enfermagem [1] acompanha a evolução histórica dos modos de produção de saúde e da evolução da profissão, incorporando as demandas da vida de todos os dias e dos serviços, para agregar ao trabalho cotidiano o acesso às ações e cuidados de forma universal, integral e equânime “para a materialização da saúde como direito que é de todos”. A demanda da vacinação se faz presente, como campo de atuação da Enfermagem, a ser programada em um setor específico, a sala de vacinação, na maioria das unidades de saúde.

Vacinação Como Demanda Programada: Vivências Cotidianas de Usuários

Vacinação Como Demanda Programada: Vivências Cotidianas de Usuários. Foto: Divulgação

A demanda programada em saúde é definida como aquela que prevê a oferta de ações por agendamentos prévios realizados por serviços de saúde. Foi implantada com o intuito de reorganizar o acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS [2]) e direcionar as demandas da população adscrita, tendo como eixo a promoção à saúde e prevenção de agravos por meio da longitudinalidade da atenção.

O acesso à saúde trata-se de um processo complexo e multidimensional. Ele envolve, além da qualidade do atendimento, a relação existente entre as necessidades de assistência de uma dada população e a capacidade do sistema de oferecer serviços de saúde equitativos e em momento oportuno. O escopo de promover saúde e prevenir riscos requer que as ações preventivas, entre elas, a vacinação, sejam realizadas por meio de ações programadas que garantam atenção no momento adequado, ao longo da vida das pessoas.

Demanda em Vacinação

A demanda em vacinação se apresenta, em sua maioria, frente ao estabelecimento dos calendários de vacinação de rotina, que são constituídos por ciclos de vida e grupos prioritários. A longitudinalidade é prevista como ferramenta essencial para alcançar resultados efetivos na imunização individual e coletiva, o que implica a existência de uma fonte regular de atenção ao longo da vida das pessoas, em uma programação clara e de fácil implementação prática.

Entretanto, a programação das ações de vacinação e a manutenção de adequadas coberturas vacinais requerem o conhecimento do histórico de vacinação, o que, na maioria das vezes, não se encontra disponível, principalmente entre os adultos, que têm o hábito de procurar a vacinação somente frente a situações onde o cartão de vacina em dia é exigido, ou seja, para o ingresso no mercado de trabalho ou na ocorrência de algum ferimento.

Assim, a incorporação dos sistemas informatizados para o registro dos dados de imunização auxilia na operacionalização e planejamento das ações de vacinação, tendo em vista que o cartão de vacina físico nem sempre estará junto ao indivíduo no ato da imunização, ocasionando a repetição de uma vacina por falta de certeza em relação à data de vacinação e, consequentemente, o risco dos eventos adversos pós-vacinais.

Destarte, a qualidade do registro de dados referente à vacinação se configura importante ferramenta para subsidiar práticas de gestão que promovam a programação e planejamento de ações na sala de vacinação; o alcance das metas vacinais e a avaliação contínua das ações, proporcionando, consequentemente, uma maior adesão dos usuários à vacinação. A cobertura vacinal e a proporção de abandono de vacinas refletem a efetividade dos serviços de saúde e são considerados indicadores da não adesão do usuário ao serviço de vacinação.

Atenção Primária à Saúde

Nesse sentido, a equipe da Atenção Primária à Saúde (APS) deve estar capacitada e envolvida com as atividades da sala de vacinação, para que todas as oportunidades de vacinação sejam aproveitadas, pois o sucesso do programa de imunização está condicionado à manutenção de altas coberturas vacinais. Entretanto, estudos evidenciam que oportunidades perdidas de imunização ocorrem, constantemente, nos serviços de saúde, por insuficiência de registros de imunização e/ou falta de orientação por parte dos profissionais de saúde.

Considerando que a vacinação, como demanda programada nos serviços da APS, implica ações efetivas e em todas oportunidades possíveis de abordagem aos usuários, tanto nos serviços quanto em outros locais da comunidade, questiona-se: como se dá o acesso à demanda de vacina no cotidiano dos serviços de saúde, sob a ótica dos usuários?

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