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Silenciamento dos Enfermeiros Sobre os Motivos da Não Recomendação da Amamentação Cruzada

A amamentação cruzada é a prática de oferecer o leite materno a uma criança que não a sua própria. Trata-se de uma prática culturalmente aceita. As nutrizes que a realizam assim o fazem ainda na maternidade ou na comunidade com pessoas de suas escolhas justificadas por virtudes morais como a solidariedade, o bem e a confiança, pois a decisão de amamentar está interligada à história de vida de cada mãe e ao significado que se atribui a esse ato.

Silenciamento dos Enfermeiros Sobre os Motivos da Não Recomendação da Amamentação Cruzada

Silenciamento dos Enfermeiros Sobre os Motivos da Não Recomendação da Amamentação Cruzada.

Contudo, é uma prática não recomendada desde a década de 80 do século passado, por ser o leite humano um fluido biológico e que na vigência de uma doença, poderá ser uma fonte de infecção como outros fluidos secretados.

Amamentação cruzada

Embora a amamentação [1] cruzada seja contraindicada, na abordagem à nutriz o enfermeiro deve sempre promover um diálogo empático, buscando as razões que levam ou levaram a mulher a adotá-la. Existem alguns fatores indutores para prática da amamentação cruzada, como: mãe muito tempo longe de suas casas, trabalho ou estudo, baixa produção de leite ou ainda problemas na mama que impossibilitem o aleitamento materno. Tais condições condicionam as mulheres a ofertarem seu leite às crianças que não sejam seus filhos como uma alternativa solidária.

O afastamento da criança e sua mãe não justifica a realização da amamentação cruzada, pelo contrário, para a Organização Mundial da Saúde o afastamento para o trabalho, por exemplo, sem que haja a possibilidade de manter/estocar leite materno, se constitui como uma das razões aceitáveis para a substituição pela fórmula láctea. Conciliar trabalho e amamentação tem sido relatado como causa para o desmame precoce. Existe, para isso, a técnica de ordenha e formas de armazenamento do leite para ofertar a criança no período em que este se faz necessário.

Proibição

Em uma abordagem complexa como essa em que a amamentação cruzada envolve, por um lado, valores morais e de outro uma proibição devido ao risco de infecção, a utilização do aconselhamento, que é uma estratégia em que o profissional escuta ativamente a nutriz e com seus conhecimentos e habilidades oferece apoio na tomada de decisão consciente é de fundamental importância.

Portanto, o objetivo deste estudo é identificar qual a conduta assistencial do enfermeiro frente à amamentação cruzada. O estudo justifica-se por contribuir para a ação do profissional de enfermagem em sua conduta assistencial a partir do conhecimento do problema. Considera-se relevante, pois a compreensão da conduta assistencial dos enfermeiros diante da amamentação cruzada possibilita (re) pensar quais ações podem ser tomadas para evitar sua ocorrência e prevenir danos à saúde da criança.

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