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Significado de Violência Obstétrica Para os Profissionais Que Atuam na Assistência ao Parto

Ao longo dos anos diversas mudanças ocorreram no processo de nascimento levando a mulher a perder a sua autonomia e o protagonismo no trabalho de parto e parto. Na Idade Média o parto era compreendido como uma atividade feminina, as parturientes recebiam assistência empírica de mulheres e a presença masculina era proibida por decretos religiosos. Até no século passado, o cuidado à mulher e ao recém-nascido era realizado pelas mãos experientes das parteiras, em local privativo e familiar e rodeado por pessoas conhecidas e de confiança.

Significado de Violência Obstétrica Para os Profissionais Que Atuam na Assistência ao Parto

Significado de Violência Obstétrica Para os Profissionais Que Atuam na Assistência ao Parto. Foto: Divulgação.

No entanto, na década de quarenta, com a Segunda Guerra Mundial [1], houve o aumento da institucionalização do parto. Em decorrência desta mudança a figura masculina aparece no nascimento; os avanços tecnológicos, científicos e na medicina acarretaram o aumento das intervenções e o uso de medicamentos, como consequência o parto passou a ocorrer na horizontal, para conforto do profissional e a episiotomia surgiu como rotina.

Embora o progresso da obstetrícia tenha ajudado na melhoria dos indicadores de morbimortalidade materna e perinatal, ele abriu espaço para que houvesse a solidificação de um modelo que vê a gravidez, o parto e o nascimento como doenças e não como sinais de saúde. As mulheres e recém-nascidos são sujeitos a várias intervenções que deveriam ser empregadas em caso de necessidade, e não como rotineiras.

Violência Obstétrica

Em documento divulgado pela Defensoria Pública de São Paulo a Violência Obstétrica (VO [2]) é definida como: “Apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres pelos profissionais de saúde, através do tratamento desumanizado, abuso da medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos e sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres”.

A mulher pode sofrer violência institucional durante todas as etapas de sua gestação, mas neste trabalho um destaque é dado à violência que ocorre no momento do trabalho de parto e parto, período caracterizado por maior vulnerabilidade feminina e pela expectativa do nascimento de um filho. As dificuldades e problemas vivenciados pelas parturientes podem tornar a experiência da parturição dolorosa, sofrida e triste para mulher.

Este estudo teve como objetivo conhecer o significado de violência obstétrica para os profissionais que atuam na assistência ao trabalho de parto e parto.

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