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Rotatividade de Pacientes e Sua Influência Sobre a Carga de Trabalho em Enfermagem

Os objetivos desse estudo foram mensurar o tempo médio despendido pela equipe de enfermagem durante as intervenções de admissão e transferência de pacientes em unidades hospitalares; identificar as atividades que são priorizadas (ou omitidas) em relação à admissão e transferência de pacientes e comparar a conformidade dessas intervenções em relação às atividades descritas pela Classificação das Intervenções de Enfermagem (NIC [1]); investigar o tempo que a enfermagem demanda para realizar o maior número de atividades qualificando estas intervenções e avaliar o grau de interferência da rotatividade de pacientes na unidade sobre a carga de trabalho da equipe de enfermagem.

Rotatividade de Pacientes e Sua Influência Sobre a Carga de Trabalho em Enfermagem

Rotatividade de Pacientes e Sua Influência Sobre a Carga de Trabalho em Enfermagem.

Motodologia

Estudo observacional com cronometragem de tempo através de um software, realizado em dois hospitais da região noroeste do Estado de São Paulo. Foram acompanhadas 199 admissões (97 por enfermeiros e 102 por auxiliares/técnicos) e 200 transferências (100 para cada categoria profissional) de pacientes utilizando-se quatro instrumentos desenvolvidos e validados a partir da taxonomia NIC. Concomitante à mensuração do tempo, as atividades listadas para admissão (16 para enfermeiros e 10 para auxiliares) e transferência (7 para enfermeiros e 6 para auxiliares) foram checadas e a conformidade das intervenções foi verificada considerando o limite de 70% e 50% do escore total. A coleta de dados ocorreu entre julho de 2016 e fevereiro de 2017, e posteriormente foi complementada, entre agosto a outubro de 2018. O cálculo do percentual de acréscimo de tempo sobre a carga de trabalho, a partir de uma série histórica, fundamentou-se nas horas trabalhadas por turno, excluída as pausas laborais do período diurno e noturno.

Resultados da pesquisa

O tempo médio dedicado pelos enfermeiros na admissão de pacientes variou de 5,5(DP=2,3) a 13,0(DP=1,1) minutos e dos auxiliares/técnicos entre 4,7(DP=2,1) e 6,8(DP=2,0) minutos (p≤0,01). Os enfermeiros atenderam 43,7% (7/16) e os auxiliares e técnicos 40% (4/10) das atividades listadas e apenas seis admissões realizadas por enfermeiros (≥70% do escore) e 33 por auxiliares/técnicos (≥50% do escore) mostraram-se qualificadas. Observou-se aumento na jornada de trabalho da equipe variando de 16,3 a 31,5%. No que se refere às transferências, o tempo médio despendido pelos enfermeiros variou de 9,3(DP=3,5) a 12,2(DP=2,5) minutos e pelos auxiliares/técnicos entre 7,1(DP=2,8) e 11,0(DP=2,2) minutos. Dentre as atividades verificadas, os enfermeiros realizaram 71,4% (5/7) e os auxiliares e técnicos 83,3% (5/6) sendo consideradas qualificadas (≥70% do escore) 63 admissões realizadas por enfermeiros e 87 por auxiliares/técnicos. O percentual de acréscimo na jornada de trabalho da equipe de enfermagem variou de 19,3 a 29%.

Conclusão

As admissões e transferências de pacientes geram impacto sobre a carga de trabalho da enfermagem e devem ser ponderadas pelos enfermeiros no dimensionamento e alocação da equipe visando melhoraria da qualidade e continuidade do cuidado.

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