27/07/2018

Projeto visa criar tecnologia que ajuda enfermeiros a prevenir stress no trabalho

A Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP), em colaboração com entidades espanholas e brasileiras participam do projeto.

Num estudo preliminar, que englobou 474 enfermeiros do Porto e de Oviedo (Espanha), desenvolvido no âmbito do projeto principal, foram encontrados níveis baixos ou moderados de ‘stress’, disse à Lusa a professora da ESEP Elisabete Borges.

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Principais causas de stress no trabalho

As dimensões “mais ‘estressantes'” encontradas, indicou a investigadora, foram a sobrecarga de trabalho e a dificuldade em lidar com a morte, por oposição ao reduzido ‘stress’ provocado pela falta de suporte ou conflitos com enfermeiros.

Numa outra amostra, que englobou enfermeiros do Porto, de Oviedo (Espanha) e do Brasil, a equipe verificou que 11% desse grupo sofre de síndrome de ‘burnout‘ elevado, um distúrbio psíquico que é precedido de esgotamento físico e mental.

Resultados da pesquisa

Os resultados desse trabalho, que envolveu enfermeiros de hospitais universitários centrais, revelam igualmente que, apesar de 56% dos participantes sofrerem de baixo ‘burnout’, já há 33% com nível moderado.

Segundo a investigadora do grupo NursID, do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (Cintesis), a comparação entre os dados recolhidos em Portugal e em Espanha revelou “diferenças pouco significativas” quanto ao ‘stress’, sugerindo que as fontes que o causam são comuns aos enfermeiros dos dois países.

No entanto, no que toca ao “presentismo” (prática que consiste em estar presente no local de trabalho, sem condições físicas ou mentais que perturbam a produtividade), foram encontrados níveis mais altos nos enfermeiros espanhóis do que nos portugueses.

A investigadora alertou, contudo, para o facto de o ‘stress’ e o ‘burnout’ poderem “refletir o mito do trabalhador saudável, ou seja, só preencherem questionários os enfermeiros que ainda não estão em desgaste, pois os que estão já doentes não terão paciência ou capacidade de participar em estudos”.

Participação brasileira no projeto principal

Este estudo está inserido no projeto principal, onde, além da ESEP, participam a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação do Porto (FPCEUP), a Facultad de Medicina y Ciencias de la Salud da Universidade de Oviedo (Espanha) e a Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (Brasil), com o objetivo de aprofundar o conhecimento e comparar os contextos laborais e a saúde dos enfermeiros dos três países.

Quanto ao ‘engagement‘ (definido neste contexto como o compromisso para com a profissão), também avaliado noutro dos estudos deste projeto, foram verificados níveis altos em 160 enfermeiros a exercer funções nos cuidados de saúde primários na região do Porto e numa das ilhas dos Açores.

Bullying na Enfermagem

Elisabete Borges contou ainda que, numa amostra de 324 enfermeiros a exercer funções em Portugal, foi identificada uma prevalência de ‘bullying’ de 9,3%.

Questionada, a docente afirmou que a enfermagem do trabalho em Portugal “tem vindo a ter uma maior visibilidade e reconhecimento”, sobretudo “com o aumento de formação nesta área do conhecimento” e com o regulamento da competência acrescida diferenciada, estabelecido em junho deste ano pela Ordem dos Enfermeiros.

Valorização do profissional de Enfermagem

“Considero que estamos num caminho de valorização de competências destes profissionais nos diferentes contextos. Integrados em equipas multidisciplinares, desenvolvendo uma prática profissional baseada na evidência, devem potenciar a sua prática clínica no âmbito da promoção de saúde dos trabalhadores”, frisou.

O projeto, intitulado “INT-SO: Dos contextos de trabalho à saúde ocupacional dos profissionais de enfermagem, um estudo comparativo entre Portugal, Brasil e Espanha”, já deu origem à obra “Enfermagem do Trabalho: Formação, Investigação e Estratégias de Intervenção”, o primeiro livro desta área de conhecimento em Portugal, acrescentou.

Atualmente, os investigadores estão a desenvolver mais estudos comparativos entre os três países.

Fonte: [1]




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