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Profissionais de Enfermagem Que Exercem a Docência: Limites e Possibilidades

A atividade educativa é inerente à ação dos profissionais enfermeiros, seja nas ações técnicas ou de ensino. Podemos considerar que uma das metas da educação é garantir ao educando uma atitude crítica que o conduza a buscar a verdade, ou, como hoje consideramos, as verdades (partindo da crítica à noção de verdade adotada pela filosofia). Com o desenvolvimento das ciências e da tecnologia as mudanças paradigmáticas são muito intensas e a atuação do educador deve pautar-se na observação dessas mudanças e na análise diária dos interesses e necessidades emergentes em seu grupo de discentes, bem como em seu conhecimento sobre as especificidades de cada estágio de desenvolvimento.

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Profissionais de Enfermagem Que Exercem a Docência: Limites e Possibilidades. Foto: Divulgação.

Ao que nos parece, ainda hoje, muitos docentes adotam práticas de ensino pautadas no modelo tradicional, como considerou Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido [1]), no modelo bancário, e acreditam que seu conhecimento científico é suficiente para o processo de ensino aprendizagem. Ronca (1996), traz um questionamento perfeito sobre essa situação: Se o papel do professor é dar aulas, enquanto ele dá a sua aula, o aluno faz o quê? A expressão “dar aula” é fruto da era do “mundo pronto”, que está em constante mudança. Sendo assim, a melhor expressão seria “construir uma aula” porque implica em um protagonismo por parte do discente.

Frente à complexidade e dinâmica das transformações que se processam no mundo, nas relações interpessoais, nas comunicações, nas relações de trabalho, enfim nas relações sociais e no conhecimento, acreditamos que o docente precisa reconhecer a sua importância como mediador, fazendo com que os discentes sejam protagonistas das suas próprias histórias.

Aprendizagem significativa

O papel principal dos professores, na promoção de uma aprendizagem significativa, é desafiar os conceitos já aprendidos, para que eles se reconstruam mais ampliados e consistentes, tornando-se assim mais inclusivos com relação a novos conceitos. Quanto mais elaborado e enriquecido é um conceito, maior possibilidade ele tem de servir de parâmetro para a construção de novos
conceito.

O sujeito deve ter um papel ativo e construtivo no seu próprio conhecimento. Deve-se estabelecer uma troca de saberes e não a monopolização do conhecimento. Só assim podemos contribuir para a construção da autonomia desses sujeitos, responsabilizando-os pela sua aprendizagem.

Não poderíamos entender de outro modo, visto que o próprio caminho das ciências conduziu a isso. Desde o século XVII, com a significativa virada copernicana, com a entrada a partir daí de tantas especificidades científicas e com a crise da razão que culminou com as chamadas rupturas epistemológicas, sabemos que a ciência se renova e se reinterpreta a cada momento. Não podemos, ainda que o façamos, assumir posturas positivistas, assumir posições inflexíveis, dogmáticas. Certamente o nosso desejo consiste em apresentar uma gama de conhecimentos certos,
seguros, ainda que saibamos de quão complexo é o universo das incertezas que nos rondam, das crenças que se substituem, das análises que se modificam ao longo das nossas experiências. Contudo, essa condição não nos impede de avançar nas descobertas e na abertura que nossas dúvidas oferecem, é a partir de nossas buscas, de nossas tentativas que nossas descobertas se delineiam.

O educador está inserido nesse processo de complexidade e se situa na mediação, esta sempre refletindo acerca da prática e da teoria, esta sempre se redefinindo, enquanto pesquisador de
uma determinada área do conhecimento. É certo que a sua prática e sua atualização decorrem desta constante renovação de sua prática e da compreensão global de seu objeto de ação, o aluno.

O processo educacional e, consequentemente, a formação de educadores, é vista quase que exclusivamente como uma dinâmica de interação humana, uma organização sistemática e intencional de diferentes componentes de um sistema ou na linha da conscientização, com características eminentemente político-sociais.

Docência em Enfermagem

A educação [2] é um processo multidimensional, pois apresenta uma dimensão humana, técnica e política – social. Estas dimensões precisam caminhar juntas entre si de forma dinâmica e coerente. A formação dos educadores também deve adquirir uma perspectiva multidimensional, o profissional não deve negligenciar que a sua conduta reflete na sociedade como um todo. Sabemos, como já mencionamos, que a relação entre a teoria e a prática são bastante dissociadas, que o cotidiano e o hábito nos conduz a tomar determinadas práticas como sendo as únicas e as verdadeiras, conduzindo-nos assim a adotar uma visão parcial e refratária de ciência.

Esta questão afeta a todas as áreas do conhecimento e, principalmente àquelas que atuam sobre a prática social. Há várias formas de se conceber a relação entre teoria e prática, uma delas é a visão dicotômica, que se centra na separação de ambas. Nesta visão é assumida uma posição dissociativa, onde teoria e prática são componentes isolados e opostos.

Contudo, a prática e a teoria devem se tornar uma ação conjunta, mesmo que tenhamos consciência que as contingências possam determinar consequências ainda nem mesmo pensadas, essas podem ter na teoria suporte no sentido de compreensão de seu próprio processo, que inicialmente não de coloca, mas é nesta busca que o conhecimento se processa. E não seria esse o procedimento adotado pela ciência?

Frente ao exposto, este artigo tem como objetivo analisar a prática pedagógica dos docentes enfermeiros de uma Instituição Privada de Nível Superior do Estado da Bahia.

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