19/11/2018

Efeitos adversos da profilaxia antirretroviral após exposição ocupacional ao HIV

Revisa os efeitos adversos mais comuns e também os mais graves associados às drogas dos esquemas de PEP recomendados pelo MS.

No Brasil, foram notificados 47.292 casos de acidentes de trabalho com exposição a material biológico em 2014. Mas esse número é provavelmente muito maior. Nesse tipo de acidente, deve-se avaliar o risco de transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e a necessidade de profilaxia pós-exposição (PEP). Para tanto, quatro aspectos devem ser considerados: o tipo de material biológico envolvido no acidente, o tipo de exposição, o tempo transcorrido entre o acidente e o atendimento inicial, e a condição sorológica da pessoa exposta.

Riscos ocupacionais.

Risco de transmissão do HIV

O risco médio de transmissão do HIV após exposição ocupacional percutânea ao sangue infectado foi estimado em 0,3%. O uso da zidovudina (AZT) foi associado à redução de 81% do risco de infecção pelo HIV após exposição ocupacional percutânea. Desde então. Diversos esquemas profiláticos foram propostos. No Brasil. As diretrizes de 2015 do Ministério da Saúde (MS) recomendavam o uso combinado de três drogas antirretrovirais para a profilaxia da infecção pelo HIV após exposição ocupacional ou não. O esquema era composto por dois inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeo. Tenofovir (TDF) e lamivudina (3TC). E um inibidor de protease potencializado com ritonavir (RTV). Atazanavir (ATV/r). Em 2017. O MS publicou o novo “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição de Risco à Infecção pelo HIV. IST e Hepatites Virais”. Vigente atualmente, modificando o esquema de primeira linha. O ATV/r foi substituído pelo
dolutegravir (DTG). Um inibidor de integrase. A duração da profilaxia permanece sendo de 28 dias, devendo ser iniciada nas primeiras 72 horas após a exposição. O início precoce e a manutenção do esquema por quatro semanas são fundamentais para garantir maior eficácia da intervenção

Exposição ocupacional de risco à infecção pelo HIV

O presente artigo teve por objetivos, a partir do relato de um caso de toxicidade relacionada à profilaxia após exposição ocupacional de risco à infecção pelo HIV. Revisar os efeitos adversos mais comuns e também os mais graves associados às drogas dos esquemas de PEP recomendados pelo MS. E discutir a conduta do médico do trabalho diante do surgimento dessas complicações. Este estudo de caso foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva e autorizado pela paciente envolvida por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.




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