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Práxis Educativa de Enfermeiros da Estratégia Saúde da Família

Ainda que etimologicamente o termo práxis possua o sentido aproximado de prática, este manuscrito assume sua acepção mais ampla, polissêmica e processual, materializada no movimento da ação para além da conduta. Neste estudo, práxis é entendida como síntese entre ser, pensar e estar no mundo, ação autocriadora fundamentada na obra marxiana, e retomada por Paulo Freire [1] no Brasil, como problematização central — a união dialética entre prática e teoria, representada pela práxis como fomento de processos humanizadores e de transformação revolucionária da realidade social. A forma específica de práxis a ser abordada é a práxis educativa concretizada em manifestações individuais e coletivas de enfermeiros que atuam na Estratégia Saúde da Família (ESF [2]).

Práxis Educativa de Enfermeiros da Estratégia Saúde da Família

Práxis Educativa de Enfermeiros da Estratégia Saúde da Família. Foto: Divulgação

A ESF nasce no Brasil em 1994, formulada pelo Ministério da Saúde (MS) e lançada com o nome de Programa Saúde da Família (PSF), um programa de Atenção Primária à Saúde (APS [3]) que buscava se diferenciar do modelo até então em desenvolvimento. Em 1997, passou a ser definido como estratégia, por não se tratar apenas de um “programa”, mas de uma política com caráter organizativo e substitutivo, fazendo frente ao modelo tradicional de assistência primária. Desse modo, constitui-se parte do processo de reforma do setor da saúde, amparado pela Constituição Federal, com intenção de aumentar a acessibilidade ao sistema de saúde e incrementar as ações de prevenção e promoção da saúde, sendo, portanto, estratégia de produção de impacto no sistema de saúde como um todo.

São inegáveis os avanços produzidos pela ESF nas dimensões político-institucionais, organizativas e técnico-assistenciais. Na primeira, observa-se a expansão dos cuidados primários, institucionalização da promoção da equidade, intersetorialidade e enfrentamento das questões de gestão de pessoal juntamente com a formação e educação para o sistema de saúde. Na dimensão organizativa, a integração da rede de serviços, o planejamento e a participação social são destacadas. Na dimensão técnico-assistencial, observam-se benefícios para o trabalho multidisciplinar, enfoque familiar, acolhimento, vínculo, humanização e produção do cuidado.

Estratégia Saúde da Família

A práxis educativa vinculada às ações de APS busca superar a dicotomização do ensinarcuidar. Estudos realizados nas duas últimas décadas têm apontado a práxis educativa de enfermeiros na ESF de forma positiva para o trabalho em equipe, pois confere, apoiando-se na própria práxis, o elenco de prioridades educativas e o reconhecimento de necessidades dos sujeitos, fazendo dali emergir os fins que dirigem a proposta de trabalho a ser desenvolvida pela equipe com a população.

Estudos que discutem o processo de trabalho em saúde no âmbito da Estratégia Saúde da Família indicam que um dos desafios é a produção de outros modelos que promovam o enfrentamento de contradições e dificuldades, a efetivação de rupturas e adoção de diferentes posturas, para então se buscar opções e possibilidades de criação. Diante do exposto, faz-se necessária a realização de estudos que analisem a práxis educativa na ESF, de modo a subsidiar a construção coletiva de caminhos e novos modos de fazer educação em serviços de saúde. A reflexão em contextos reais de trabalho e por meio do diálogo participativo pressupõe que os profissionais da ESF são atores do processo de subjetivação da práxis. Não se trata de interpretar a boa ou a má prática em curso, mas de desvelar caminhos possíveis de conhecimento pertinente. A questão norteadora do estudo foi: Como se caracteriza a práxis educativa de enfermeiros da Estratégia Saúde da Família de um distrito de saúde de Manaus-AM?

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