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Inclusão da Família na Reabilitação Psicossocial de Consumidores de Drogas: Cuidar e Ser Cuidada

O paradigma da atenção psicossocial em saúde mental [1] tem como principal fundamento o cuidado em nível do território, que se configura como estratégia para facilitar o atendimento das demandas dos usuários, criando com eles possibilidades de intervenções de saúde do ponto de vista de sua integralidade. Além disso, o objeto do cuidado da equipe de saúde atuante nos serviços substitutivos também deve se estender à família dos usuários, que deve ser percebida como integrante primordial no contexto das práticas cuidativas de si e do outro.

Inclusão da Família na Reabilitação Psicossocial de Consumidores de Drogas: Cuidar e Ser Cuidada

Inclusão da Família na Reabilitação Psicossocial de Consumidores de Drogas: Cuidar e Ser Cuidada. Foto: Divulgação

Para a promoção de um cuidado compartilhado torna-se fundamental a assistência e suporte psicossocial aos familiares, pois, as famílias enfrentam problemas, dificuldades ou eventos adversos que podem afetá-las significativamente. As demandas que surgem durante o processo de cuidar podem afetar a vida socioafetiva e econômica das famílias, que também vivenciam em sofrimento. Assim, entende-se que, além de aliados no processo de tratamento, os familiares também necessitam de cuidados.

Na perspectiva do cuidado à pessoa que consome drogas de forma habitual se instituiu o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps ad [2]), serviço que compõe a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), cujo foco principal é o desenvolvimento de ações relacionadas à reabilitação psicossocial dos usuários, bem como a promoção de cuidados aos familiares, estimulando-os para o compartilhamento de responsabilidades.

Reabilitação psicossocial

Dessa forma, a reabilitação psicossocial pode ser compreendida como um arranjo terapêutico que deve estar em permanentes montagem, avaliação e engajamento, no sentido da produção de novos territórios e do desmonte dos regimes de saber-poder, que parecem inaptos a aceitar dissonâncias com suas práticas e discursos que obstaculizam o conflito e a negociação social.

Embora a participação da família, na perspectiva psicossocial, tenha sido requisitada, no contexto do cuidado ao usuário do Caps ad, ela ainda é vista como algo novo, uma vez que, no modelo hospitalocêntrico, era entendida como causa do sofrimento psíquico, e, por isto, exigia-se o seu distanciamento. Assim, a partir da Reforma Psiquiátrica Brasileira, a família passa a ser protagonista do cuidado, representando a extensão mais importante do projeto terapêutico orientado e iniciado nos Caps ad, com vistas a torná-la aliada na manutenção das ações recomendadas por estes serviços.

Logo, é necessária a criação de dispositivos de atenção e cuidado à família no Caps ad, o que contribui para que esta reconheça o seu papel de corresponsável pelo cuidado de si e do outro durante o processo de reabilitação psicossocial do usuário. Assim, notamos que a tríade usuário-família-equipe parece, efetivamente, ocupar o lugar de protagonismo nos processos de criação e transformação da dinâmica de produção do cuidado, uma vez que não podemos descartar nenhum destes núcleos ao pensar em estratégias de cuidado ao consumidor de drogas.

Serviço de atenção psicossocial

Desse modo, o encontro da família com o serviço de atenção psicossocial abre a possibilidade de reinventar os espaços onde se podem tecer laços rompedores de linearidades e reducionismos da vida, proposta da política de saúde mental, que tem como foco a desinstitucionalização na perspectiva da (re)ativação dos encontros permeados pela implicação com o sujeito. Portanto, compreendemos a relevância da elaboração e da organização de estratégias que visem à inserção da família nas práticas de reabilitação psicossocial do usuário do Caps ad, o que se configura como forma de cuidar dessa instituição, que também precisa de cuidados.

Nessa direção, a pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender a participação da família no contexto da reabilitação psicossocial dos consumidores de drogas, de acordo com o olhar dos profissionais de saúde de um Caps ad, uma vez que são atores sociais que têm potencial para, por meio do comprometimento e da implicação com o outro, criarem formas de cuidar de si.

Optamos pela fenomenologia de Maurice MerleauPonty como aporte teórico-filosófico da pesquisa, por nos permitir uma experiência ontológica, sem a emissão de juízo de valor, ocupando-nos na desconstrução dos discursos naturalizados sobre a família no contexto da reabilitação psicossocial, o que se configura como oportuno para que novos significados e práticas de cuidado do trinômio usuário-família equipe sejam implementadas.

Diante do exposto, desenvolvemos o presente estudo a partir da seguinte questão de pesquisa: como os profissionais de saúde de um Caps ad percebem a família no contexto da reabilitação psicossocial de consumidores de drogas? Assim, nosso objetivo foi compreender a percepção de profissionais de saúde de um Caps ad sobre a família no contexto da reabilitação psicossocial de consumidores de drogas.

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