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Gerenciamento Em Enfermagem

A alteração das necessidades de saúde da população brasileira e as mudanças ocorridas no setor saúde nas últimas décadas levaram à adoção de novos modelos gerenciais [1], definindo um novo perfil do profissional para atuar no contexto de um cuidado baseado nos princípios de equidade, integralidade e universalidade, impulsionando mudanças nos parâmetros educacionais para a formação do profissional enfermeiro.

Gerenciamento Em Enfermagem

Gerenciamento Em Enfermagem. Foto: Divulgação

O presente estudo teve como objetivo geral avaliar como o ensino das disciplinas Administração em Enfermagem [2] e Administração em Instituições de Saúde do Curso de Enfermagem de uma instituição de ensino superior pública prepara o discente para a prática gerencial no contexto do trabalho em saúde.

Gerenciamento Em Enfermagem

Para isso, delineou-se o presente estudo descritivo-exploratório de abordagem qualiquantitativa. Os sujeitos foram 37 egressos de uma instituição estadual de ensino superior na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná. A coleta de dados ocorreu nos meses de fevereiro a abril de 2010. Utilizou-se, para a análise dos dados quantitativos, a análise estatística descritiva, e para os dados qualitativos, a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) proposta por Lèfreve e Lèfreve (2005).

A análise dos dados quantitativos sugere que os egressos sem experiência possuem muito conhecimento, habilidade e atitude em relação aos vários itens, inferindo-se que a noção de competências adquiridas permeia apenas seu imaginário. Na análise qualitativa, a construção dos discursos permitiu apreender seis temas, com suas ideias centrais (ICs) e respectivos discursos do sujeito coletivo referentes a estas. No tema ações gerenciais no cotidiano de trabalho, emergiram como ICs: a utilização de instrumentos gerenciais nas ações gerenciais; gerenciamento de recursos humanos, materiais, físicos e ambientais; e gerenciamento do cuidado de enfermagem. O segundo tema, conhecimentos requeridos para a prática profissional, tem as seguintes ICs: utilização dos conhecimentos em situações diversas e utilização dos conhecimentos nas situações de gerenciamento da equipe, do cuidado e de materiais. Na terceira temática, habilidades gerenciais requeridas na prática, as ICs foram: habilidades gerenciais como comunicação, educação permanente, tomada de decisão; resolução de problemas, pessoais e autoconhecimento; e liderança. O tema atitudes gerenciais requeridas na prática gerencial traz as seguintes ICs: atitude sustentada pelo conhecimento e influenciada pelo papel institucional da Enfermagem e atitudes de gerenciamento do tempo, liderança e gerenciamento de recursos humanos. Sobre a questão do preparo para o desempenho gerencial, a IC foi influência da graduação na capacitação gerencial. No último tema, lacunas na formação gerencial e sugestões para mudanças as ICs foram: lacunas na parte prática das disciplinas e sugestões para mudança.

Os DSCs apontaram a fragmentação dos conteúdos das disciplinas diversidade de atuação dos egressos na prática, a realização de ações gerenciais com enfoque produtivista no fazer, o distanciamento do gerenciamento do cuidado e a necessidade de reestruturação curricular de melhoria nos campos da prática e das parcerias ensino/serviço. Há dificuldades para o enfermeiro perceber a dimensão gerencial no seu processo de trabalho e desenvolver competências gerenciais na prática profissional. Este estudo pode contribuir para a reestruturação do projeto pedagógico do curso e, especificamente, das disciplinas de Administração em Enfermagem, sustentando reflexões sobre o processo ensino-aprendizagem

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