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Formação de Enfermeiros de Prática Avançada em Oncologia Para o Melhor Cuidado

Há no mundo um interesse crescente em adotar práticas capazes de inovar e melhorar sistemas de saúde para responder aos problemas decorrentes das necessidades das populações, principalmente com o aumento das doenças crônicas. Parte desses problemas relaciona-se à força de trabalho em saúde, a carência de profissionais, além de formação compatível para prover cuidados de saúde com qualidade. Na contemporaneidade, uma das inovações em pauta e com amplas discussões na saúde é a enfermagem de prática avançada (EPA [1]).

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Formação de Enfermeiros de Prática Avançada em Oncologia Para o Melhor Cuidado. Foto: Divulgação

A EPA originou-se no Canadá e nos Estados Unidos da América (EUA) há mais de 40 anos. Desde então, gradativamente, diversos países vem estruturando tal prática, mediante a preparação educacional, a reformulação e/ou criação de regulamentações específicas, a definição do papel e formas de atuação profissional para um cuidado de saúde expandido e de excelência.

De acordo com o International Council of Nurses (ICN [2]), o enfermeiro de prática avançada é aquele que adquiriu a base de conhecimentos especializados, habilidades complexas de tomada de decisão e competências clínicas para uma prática expandida, cujas características são moldadas conforme o contexto de cada país e de acordo com os diversos cenários de prática existente, sendo necessária a preparação educacional a nível avançado – o mestrado é recomendado. Nota-se ainda que, em alguns países, a EPA teve uma formação educacional para além do nível de mestrado, para que assim fosse possível a expansão do escopo de sua prática.

Há diferentes terminologias adotadas no mundo para identificar a prática avançada do enfermeiro, entretanto, os termos comumente utilizados para se referir a esse profissional habilitado são: nurse practitioner (NP) e clinical nurse specialist (CNS). O NP tende a ter maior envolvimento no atendimento clínico, possui um escopo expandido de prática clínica que lhes dá autonomia para coordenar diagnósticos e prescrever tratamentos e/ou medicamentos. Já o CNS frequentemente possui maior responsabilidade por atividades não clínicas, como a educação, liderança de melhorias na qualidade da assistência (desenvolvimento de diretrizes e protocolos clínicos) e gestão dos serviços de saúde. Além de fornecer cuidados altamente complexos e especializados.

Cuidados de Enfermagem com pacientes oncológicos

Estudos internacionais têm demonstrado o impacto positivo do papel do enfermeiro de prática avançada na melhoria dos resultados de saúde com o paciente, bem como na qualidade da assistência e na resolutividade das adversidades dos sistemas de saúde. Atualmente, mais de 70 países estão interessados em implantar a prática avançada em enfermagem, assim como existe diferentes estágios de desenvolvimento de suas funções. Destaca-se que no Brasil a implantação da EPA na Atenção Primária vem sendo discutida com maior ênfase, como uma resposta às crescentes necessidades de saúde da população e dificuldades de acesso aos recursos humanos, embora existam distintos campos para a atuação profissional.

A estimativa mundial mostra que, em 2018, ocorreram 18,1 milhões de casos novos de câncer e 9,6 milhões de óbitos. Estima-se para o Brasil, no biênio 2020-2022, a ocorrência de 625 mil casos novos de câncer, para cada ano. De acordo com esses dados de incidência e prevalência, é notório a importância de profissionais qualificados, com conhecimentos, habilidades e atitudes específicas para atuar com o perfil de paciente com necessidades complexas de cuidado, destacando-se assim a implantação da EPA no cenário da oncologia.

Alguns estudos avaliaram os papéis, as responsabilidades, os padrões de prática clínica e a produtividade dos enfermeiros de prática avançada em oncologia, com o objetivo de obter dados para preencher a lacuna da força de trabalho existente nesse campo de atuação, devido ao aumento da população com diagnóstico de câncer e seus sobreviventes. Os enfermeiros de prática avançada em oncologia proporcionam cuidados de alta qualidade e sua implementação soluciona a carência de profissionais com competências específicas para o cuidado prestado a essa população. Contudo, observa-se que a atuação desse profissional se torna um desafio, devido à variabilidade e à complexidade da prática, somado ao surgimento de novos e mutáveis conhecimentos da área nos últimos anos. Atualmente, os pacientes são diagnosticados mais precocemente e vivem mais. Há tratamentos com quimioterapia tradicional, porém a genômica, bem como as outras ciências ômicas (transcriptômica/proteômica/epigenômica/metabolômica/farmacogenômica), juntamente com a bioinformática e os biomarcadores – os quais compõem os três pilares interdisciplinares da Medicina Personalizada – vem determinando as escolhas terapêuticas com mais acurácia e precisão, em especial na oncologia. A exemplo da imunoterapia que se tornou um tratamento de primeira linha para alguns tipos de câncer. Esses avanços tecnológicos mudam continuamente os cuidados aos pacientes com câncer e, consequentemente, refletem no papel da EPA em oncologia desenvolvido nos diversos ambientes de atendimento.

Dessa forma, o objetivo deste estudo é buscar evidências da formação de enfermeiros de prática avançada, mediante a atuação clínica e os cuidados de enfermagem com pacientes oncológicos.

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