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Expectativas e Sentimentos de Gestantes Sobre o Puerpério: Contribuições Para a Enfermagem

Ao saber da gravidez, a mulher começa a passar por transformações físicas, emocionais e sociais que se iniciam desde o momento da concepção e se estendem durante todo o período gestacional, o parto e o pós-parto [1]. Logo, com o nascimento de um filho inicia-se uma nova fase na vida da mulher, denominada puerpério, quando também o organismo feminino passa por verdadeiras revoluções hormonais e transformações que devem ser informadas desde as consultas de pré-natal.

Expectativas e Sentimentos de Gestantes Sobre o Puerpério: Contribuições Para a Enfermagem

Expectativas e Sentimentos de Gestantes Sobre o Puerpério: Contribuições Para a Enfermagem. Foto: Divulgação

Gestantes

O acompanhamento pré-natal é indispensável, pois através dos profissionais, a gestante recebe o amparo necessário para o acompanhamento do feto e de sua saúde, auxiliando nas condutas necessárias ao bem-estar da mãe e do bebê. É importante que os profissionais de saúde cuidem de forma integral, abrangendo os aspectos físicos e psicológicos, levando em consideração também o ambiente social, econômico e cultural no qual ela vive. O pré-natal pode ser realizado por um médico ou por um enfermeiro qualificado, assim: “O profissional enfermeiro é considerado apto a realizar consultas de pré-natal, no acompanhamento de gestantes com baixo risco obstétrico […]. A consulta de pré-natal quando não é percebida pelas gestantes como um momento de acolhimento, cuidado e ações educativas pode diminuir a satisfação e confiança da gestante no profissional que se encontra conduzindo seu pré-natal”.

Por meio de uma boa assistência prestada pelo enfermeiro na consulta, é possível identificar intercorrências precocemente e monitorar as gestantes que se encontram em situações de risco. Ademais, as gestantes podem se sentir mais acolhidas e seguras.

Em relação ao enfermeiro, enquanto ações, este pode identificar qualquer risco que precise ser acompanhado pelo médico, como a asma, a anemia ferropriva, a infecção urinária, o Diabetes Mellitus Gestacional (DMG), os distúrbios da tireoide e ou pré-eclâmpsia, além do risco de desenvolver alterações psicológicas e transtornos de humor. No puerpério, o enfermeiro pode identificar diagnósticos como: risco de vínculo prejudicado, que pode ser definido pelo rompimento da interação da mãe com o bebê por conta de dificuldades para amamentar. Tendo ainda, como fatores de risco a ansiedade, o convívio conflituoso e outros.

Tais situações anteriormente mencionadas, podem favorecer que as mulheres sejam acometidas pela depressão. Estudos realizados pela Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ [2], por meio da pesquisa “Nascer Brasil”, apontam fatores de risco para a depressão no puerpério como: baixa condição socioeconômica, antecedentes de transtorno mental, hábitos não saudáveis, uso de álcool, paridade alta, gravidez não planejada e assistência de saúde inapropriada.

Considerado que a Depressão Pós-Parto (DPP) é um problema de saúde pública e que afeta tanto a saúde da mulher grávida quanto o desenvolvimento da criança, pois a doença limita a habilidade da mãe de compreender e vivenciar a maternidade logo em seus primeiros dias, dificultando o relacionamento mãe e filho, os cuidados, a capacidade de engajamento positivo e o contato emocional com o bebê.

São características de Depressão Pós-parto

“[…] patologia proveniente de fatores relacionados ao sofrimento biopsicossocial, muitas vezes, não podendo ser controlada, atuando de forma implacável ao seu surgimento. A menoridade da mãe, ser solteira ou divorciada, condições socioeconômicas, eventos estressantes nos últimos 12 meses, história de transtorno psiquiátrico prévio e gravidez indesejada, são as principais vulnerabilidades que culmina para tal doença”.

A puérpera nesse momento vivencia várias dificuldades inerentes a essa etapa de vida e estando depressiva, acaba prejudicando a si própria e ao bebê. A exemplo disso, essa mãe tende a amamentar pouco e a não cumprir o calendário vacinal do bebê. Assim, a criança tem maior risco de apresentar baixo peso e transtornos psicomotores. Esses efeitos ocorrem em nível social, afetivo e cognitivo da criança e podem perdurar até a infância e a adolescência.

Para lidar com a Depressão Pós-Parto, o enfermeiro atuante na Unidade Básica de Saúde, deve prestar um atendimento qualificado às gestantes e às puérperas, estando sempre atento a fatores de risco para essa patologia. Porém, observa-se que muitas das vezes não é o que acontece, fazendo com que esses fatores de risco passem despercebidos, ocasionando quadros graves. Por outro lado, uma atenção adequada e precoce promove um processo de reconstrução da saúde da gestante/puérpera, fortalecendo assim as relações familiares e o crescimento e desenvolvimento saudável do bebê.

Frente o exposto, o estudo têm como objetivos compreender sentimentos de mulheres gestantes acerca da gestação e do pós-parto no contexto individual e familiar; conhecer as expectativas de gestantes sobre o término da gestação e o momento de conviver com o filho após o seu nascimento; identificar os fatores que contribuem para o surgimento da DPP de forma precoce; investigar a presença ou a ausência de comportamentos indicativos para depressão. Como questões norteadoras do estudo têm-se: Como a gestante espera viver a gestação e o momento do puerpério? Quais sentimentos e expectativas ela tem? A gestante tem compreensão sobre os riscos de desenvolver a depressão no puerpério?

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