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O Que é Essencial Para os Profissionais Essenciais?

A Emergência de Saúde Pública Global associada ao novo coronavírus [1], declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS [2]) em 30 de janeiro de 2020 e elevada a pandemia em 16 de março, fez com que os profissionais da saúde assumissem o protagonismo das ações de cuidado aos doentes e de orientações para prevenção tanto das equipes, como de toda a população. A falta de evidências científicas disponíveis sobre a nova pandemia trouxe muita inquietação. Dúvidas cruciais não podiam ser respondidas e tudo baseava-se nos resultados da experiência da China, onde a pandemia começou, até que instituições como a OMS, Ministério e Secretarias da Saúde do país começaram a emitir as primeiras orientações. Certamente esta falta de conhecimento e de informações fez com que muitas ações, desencadeadas pelas equipes de saúde, por muitas vezes fosse reticente, trazendo riscos e até contaminação a esses profissionais e à população em geral.

O Que é Essencial Para os Profissionais Essenciais?

O Que é Essencial Para os Profissionais Essenciais? Foto: Divulgação

Os profissionais de Enfermagem respondem pela maior parte da força de trabalho em saúde no país e em todo o mundo. No Brasil, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem têm-se um exército de 2,3 milhões de trabalhadores. Cerca da metade estão atuando na linha de frente no combate ao novo coronavírus. É o maior grupo de profissionais que lida com a doença, quando comparado com a atuação de outras categorias profissionais da área da saúde. Por conta disso, a pandemia deu visibilidade a todos eles, quer pelo cuidado direto à beira do leito aos doentes pela COVID-19, quer pelas dificuldades enfrentadas no cotidiano de trabalho, como a falta ou dificuldade de acesso aos Equipamentos de Proteção Individual (EPI [3]) de qualidade.

Profissionais Essenciais

Na linha de frente do combate à doença, ao lado dos médicos e outros profissionais da saúde, os trabalhadores da Enfermagem são os mais expostos ao contágio. Convivem com uma cruel realidade da precariedade dos serviços de saúde, que os coloca em situação de extrema vulnerabilidade diante do risco de infecção. O registro de casos da doença e de óbitos não deixa dúvidas. Dados do Observatório da Enfermagem do COFEN [4], atualizados em 6 de julho de 2020, mostram que mais de 23 mil casos de suspeita e confirmação e 240 mortes de profissionais de Enfermagem no Brasil com diagnóstico confirmado por COVID-19 foram reportados.

É uma situação grave, que foge ao esperado e demonstra as consequências da insuficiência e inadequação dos EPI, a relutância em afastar profissionais integrantes de grupos de risco da linha de frente do combate à COVID-19, do próprio sub dimensionamento das equipes e a sobrecarga de trabalho, que contribui para uma maior exposição.

Esta situação trouxe uma maior visibilidade política e social para questões básicas de condições de trabalhos para a Enfermagem, já reivindicadas há muito tempo, tais como remuneração adequada com estabelecimento de piso salarial, jornada de 30 horas, locais de descanso no plantão para descompressão e lanche, materiais de proteção individual adequados, dimensionamento de pessoal adequado evitando a sobrecarga, entre muitos outros.

Reconhecidos como essenciais no combate à pandemia, os profissionais de Enfermagem foram trazidos ao centro do debate público no Brasil. Neste contexto, questionamos: O que é essencial para estes profissionais que são essenciais no cuidado, sobretudo nesta pandemia? Conhecer quais as questões de trabalho são relevantes e torna-se importante, a fim de que os gestores e as instituições possam responder de forma positiva à estas necessidades. Assim, este artigo teve como objetivo refletir acerca das necessidades dos profissionais de Enfermagem no contexto da pandemia de COVID-19.

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