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Enfermagem Obstétrica Transforma Assistência ao Parto no Brasil

Escolher a posição mais confortável. Ter apoio para lidar com as contrações. Amamentar logo após o nascimento. “A experiência do parto no Brasil vem mudando, com a participação das enfermeiras obstétricas de norte a sul do país. Neste 8 de Março, prestamos homenagem também às profissionais que se dedicam a promover um nascimento seguro, respeitoso e humanizado em plena pandemia”, parabeniza a presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen [1]), Betânia Santos.

Em plena pandemia, “tive um parto incrível, inesquecível”, conta Fernanda, do interior de Sergipe

Em plena pandemia, “tive um parto incrível, inesquecível”, conta Fernanda, do interior de Sergipe

“Eu não vou mentir que no início eu estava muito assustada em ter um parto pelo SUS [2], pela situação da pandemia e pela situação da maternidade do nosso estado. Mas chegou o dia e não tinha outra opção. Era essa”, conta Ana Carolina Almeida, que teve o parto da pequena Analu assistido por enfermeira obstétrica em Roraima, há dois meses. “Até hoje me espanto com meu parto, porque foi um momento maravilhoso, mesmo com o medo que eu estava, com as notícias. O que faz o SUS são os profissionais”, afirma.

“O que eu mais gostei no meu parto é que eu não tive pressão de ter o bebê daquela forma, deitada. Ela [a enfermeira obstétrica] me deu várias opções, no chuveiro, acocada, até eu achar uma posição em que eu estava bem, que conseguia fazer força naturalmente”, conta a jovem mãe, assistida por Gabriella Rodrigues.

Assistência ao Parto

“A assistência de Enfermagem Obstétrica [3] trabalha com uma perspectiva humanizada, olhando a mulher por inteiro, prestando assistência em um momento que é dela”, sintetiza a enfermeira Gabriella, que já acompanhou mais de 300 nascimentos com sua equipe, em Roraima.

“Minha experiência de parto foi incrível, inesquecível. Quando cheguei na maternidade, Luísa [enfermeira obstétrica] me recebeu super bem, me passou confiança, segurança. Cheguei com muita contração, com 7 cm de dilatação. Confessei para ela que naquele momento eu só queria uma cesariana, para amenizar minha dor. Daí ela conversou comigo, foi me incentivando, presente a todo momento. Ela e meu esposo. Eu fiz o que ela pediu, curti meu momento de parto. Foi lindo. Ela e meu esposo entraram naquele momento comigo. Na hora que minha filha nasceu, ela se emocionou com a gente. É super importante o SUS na vida das mulheres, a presença de enfermeiras no parto, aquela confiança de mulher para mulher”, conta Fernanda Feitosa, que há quatro meses deu à luz a pequena Gabrielly Fernanda, no município de Propriá, em Sergipe.

Para Maria Luísa Oliveira, enfermeira obstétrica que assistiu Fernanda, “o reconhecimento de que a mulher é a protagonista do parto muda o cenário da assistência, não apenas em partos sem distocias [intercorrências]”.  Ela conta que os índices de episiotomia – corte do períneo para facilitar a passagem do bebê, cuja realização rotineira é contraindicada – despencaram, mesmo quando há alguma intercorrência, que demanda a presença do médico obstetra, porque “muda o olhar sobre o atendimento”.

“A presença da enfermeira obstétrica qualificada não faz diferença apenas na gestação e parto sem intercorrência”, ressalta a enfermeira obstétrica Virgínia Moretto, do Rio Grande do Sul. “Uma assistência qualificada reduz a probabilidade de prematuridade, cesariana e outras intercorrências. É importante até para desmistificar a cesariana, nos casos em for realmente necessária, e para encaminhar as mulheres para outros atendimentos, além de apoiar a amamentação e os cuidados com a mãe e o bebê”, afirma.

Cobertura pelos planos da Saúde é obrigatória – Maria Luísa, que também realiza atendimentos particulares, em conjunto com outras profissionais, comemora a inclusão das consultas de enfermagem obstétrica no novo rol de procedimentos de cobertura obrigatória [4]. “É um passo importante, um avanço no direito de escolha das mulheres. Estou feliz e ansiosa para saber como vai ser, na prática, o credenciamento e aceitação”, pontua. A inclusão resulta de ampla mobilização do Sistema Sistema Cofen/Conselhos Regionais, de outras entidades de Enfermagem e das mulheres brasileiras.

Registre sua qualificação – O registro de especialidade em Enfermagem Obstétrica é isento de taxas e deve ser feito no respectivo Conselho Regional de Enfermagem (Coren). “O registro é importante tanto para o dimensionamento das políticas públicas quanto para a ampliação da rede credenciada na Saúde Suplementar”, destaca o coordenador da Comissão Nacional de Saúde da Mulher, Herdy Alves.

A assistência à gestante, o acompanhamento do trabalho de parto e a execução do parto sem distócia estão entre as atribuições dos enfermeiros enquanto integrantes das equipes de Saúde, conforme o artigo 11 da Lei 7498/86 [5]. Os enfermeiros obstétricos e obstetrizes, especialistas em parto normal, têm autonomia profissional na assistência, conforme o artigo 9º do decreto 94.406/87 [6].

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