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Dor Musculoesquelética e Resiliência Elevada da Enfermagem Em Emergência Tem Relação Com Jornada de Trabalho

A busca da população por atendimento em serviços de urgência e emergência, em especial de hospitais públicos, tem aumentado de forma acelerada e desordenada. Os autores pontuam que deste fato decorre a sobrecarga de trabalho dos profissionais de enfermagem [1], tendo em vista a superlotação do serviço, déficit de profissionais e materiais insuficientes. Neste sentido, Pereira e Schuh vão além ao afirmarem que a rotina de trabalho, alta demanda de pacientes, situações de conflito, desgaste físico e estresse são fatores determinantes de adoecimento de profissionais de enfermagem que atuam em serviços de emergência. Essas evidências apontam para necessidade de alerta quanto à exposição dos trabalhadores a cargas físicas e psíquicas, em consequência das dificuldades relacionadas ao trabalho no setor de emergência.

Dor Musculoesquelética e Resiliência Elevada da Enfermagem Em Emergência Tem Relação Com Jornada de Trabalho

Dor Musculoesquelética e Resiliência Elevada da Enfermagem Em Emergência Tem Relação Com Jornada de Trabalho. Foto: Divulgação.

Do Vale et al. caracterizam Unidade de Emergência como serviço assistencial a pacientes cujos agravos inspiram atendimento imediato. Garçon et al. contribuem ao afirmar que serviços de urgência e emergência prestam atendimento a pacientes com diversos agravos e diferentes graus de complexidade, o que requer conhecimento e expertise profissional para identificar adequadamente situações de risco e assim prestar atendimento adequado às necessidades de cada indivíduo. Estudo de Sabino, Silveira e Stabile apontam que dentre as principais causas de atendimento em Unidades de Emergência estão infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, traumatismo crânio encefálico e pneumonia. As autoras destacam que a necessidade de cuidados de enfermagem está relacionada a gravidade do paciente e ao tempo de permanência no setor, que varia de 1,83 a 5,19 dias. Outro estudo, brasileiro, aponta média de 3,6 dias de internação em Unidade de Pronto-Socorro.

A principal característica dos serviços de urgência e emergência é atendimento rápido e estabilização hemodinâmica a pacientes acometidos por agravos agudos. Entretanto, a falta de leitos hospitalares para internação, implica na saturação das unidades, com consequente, aumento da carga de trabalho e risco de incidentes, que refletem na segurança e qualidade assistencial. Neste âmbito, Martins et al. afirmam que o trabalho do profissional de enfermagem é considerado complexo, visto que a assistência requer contato diário com indivíduos que dependem de cuidados e é influenciada por fatores que interferem no desempenho profissional, tais como: condições socioeconômicas, clínicas e laborais, dificuldades de controle do trabalho, falta de reconhecimento e apoio.

Os profissionais atuantes em unidade de emergência estão expostos a atividades que demandam esforço físico em consequência do déficit de profissionais, recursos materiais escassos, instalações físicas inadequadas. Os autores pontuam ainda que o clima de competitividade no trabalho, necessidade de tomada de decisões imediatas e que mobilizam o estado emocional do profissional, interferem na adaptação aos processos laborais, qualidade da assistência e colaboram para o adoecimento profissional. Maciel Junior et al. vão além ao afirmarem que distúrbios
musculoesqueléticos são consequentes do ambiente laboral inadequado associado a condição física deficiente do trabalhador.

Dor Musculoesquelética

As doenças musculoesqueléticas são consideradas principal causa de afastamento e adoecimento profissional. Estes autores pontuam que o sofrimento psíquico igualmente tem-se mostrado crescente na enfermagem e, que melhores condições laborais requerem medidas protetoras ao adoecimento. Silva et al. caracterizam Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT [2]) como síndromes que afetam o sistema musculoesquelético, desencadeadas pelo esgotamento de estruturas osteomusculares, relacionadas a falta de tempo adequado para recuperação do organismo e que podem resultar em incapacidade laboral.

Estudo com 110 profissionais, no ambiente hospitalar, mostrou que 86,2% dos participantes refere desconforto musculoesquelético, com associação significativa entre a fadiga e redução da capacidade de trabalho. Jáem investigação sobre distúrbios musculoesqueléticos autorreferidos, com 143 profissionais de enfermagem, evidenciaram presença de dor em 53,8% dos participantes, em mais de um segmento corporal.

O trabalho da enfermagem em Unidades de Emergência requer altas demandas físicas e psicológicas, o que contribui para o sofrimento e adoecimento dos trabalhadores. Em contrapartida, estudo se reporta a capacidade de resiliência como medida de suporte e potencial ao enfrentamento, conceituada como capacidade humana para enfrentar, vencer e sair fortalecido ou transformado por experiências de adversidade. Pessoas resilientes possuem a capacidade de recuperar o equilíbrio emocional e mental após vivenciar situações adversas, ao tempo que aprendem com a experiência vivida e tornam-se mais fortes e preparados.

A partir destas considerações, aliadas ao posicionamento dos autores, entende-se ser relevante avaliar frequência, intensidade da dor musculoesquelética e a capacidade de resiliência de profissionais de enfermagem que atuam em uma Unidade de Emergência. Além disso, relacioná-las com características sociodemográficas e laborais, com vistas ao planejamento, construção e implementação de ações de promoção à saúde física e psíquica dos trabalhadores e prevenção de danos muitas vezes irreparáveis.

Considera-se que a construção deste trabalho igualmente é relevante pela oportunidade de proporcionar aos trabalhadores e gestores ampliação de conhecimentos sobre a temática, possibilitar uso de medidas protetivas, que incluem estratégias de enfrentamento mais adequadas e ampliação da capacidade de resiliência, tanto no âmbito pessoal quanto profissional e institucional. Assim, o presente estudo tem como objetivo avaliar frequência, intensidade da dor musculoesquelética e capacidade de resiliência de profissionais de enfermagem que atuam em uma Unidade de Emergência no âmbito hospitalar

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