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Características Sociodemográficas e Transtornos Mentais Em Usuários de Crack e Cocaína

O uso de substâncias psicoativas (SPA [1]) é configurado como um grande problema de saúde pública mundial. Aproximadamente 271 milhões de pessoas em todo o mundo, englobando cerca de 5,5% da população mundial entre 15 a 64 anos, utilizaram estimulantes do sistema nervoso central ou substâncias psicoativas, pelo menos uma vez, durante o ano de 2017. Dentre essas SPA, foi identificado o uso de cocaína, seus derivados e outras SPA, com um número estimado de 34 milhões de usuários(as) em todo o mundo, incluindo nesta estimativa 17 milhões de usuários(as) de cocaína.

Características Sociodemográficas e Transtornos Mentais Em Usuários de Crack e Cocaína

Características Sociodemográficas e Transtornos Mentais Em Usuários de Crack e Cocaína. Foto: Divulgação.

O cenário atual brasileiro vem demonstrando que o uso abusivo de substâncias psicoativas possui interferência direta nos problemas sociais e na saúde pública. Sob este cenário, destaca-se o uso e abuso de crack e cocaína. A cocaína é uma SPA ilícita com um forte poder de levar o indivíduo à dependência, visto que o tempo de início de ação é curto, durando cerca de 8 segundos a 30 minutos. O crack, derivado da pasta-base da cocaína com associação de substâncias impuras que reduzem seu custo, tem o tempo de início de ação ainda menor, de cerca de seis a oito segundos, e faz com que o usuário(a) sinta a necessidade de buscar a SPA cada vez mais. Como consequência a esta urgência de fazer uso da SPA, e não possuir condições financeiras, o adicto se expõe a situações de risco, como assaltos, tráfico, troca de sexo por dinheiro ou pela própria SPA.

De acordo com o último Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, mostrou-se que 22,8% da população pesquisada já fez uso de algum tipo de SPA, com exceção ao álcool e o tabaco. Entre as SPA ilícitas mais consumidas 2,9% da população estudada fazia ou já fez uso de cocaína e 0,7% de crack. Nesse estudo, foi possível observar ainda que esse consumo tem ocorrido cada vez mais cedo, particularmente na faixa etária entre os 12 e 17 anos.

Consumo de Crack e Cocaína

Diante do estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz [2]), o consumo de crack e cocaína e seus similares nas capitais brasileiras, no inquérito domiciliar indireto realizado em 2012, estima-se que há cerca de 370 mil usuários(as) regulares (com mais de 25 dias de uso nos últimos 6 meses), que representaria 0,81% do total da população residente nestes municípios. Dentro desse número, de 370 mil usuários(as) de crack e seus similares nas capitais brasileiras, a região nordeste desponta com o maior número de usuários(as), aproximadamente 148 mil, a macrorregião nordeste só fica atrás da região sudeste com aproximadamente 114 mil usuários(as) de crack e similar.

Os indicadores sinalizam que uso dessas substâncias psicoativas vem tomando grandes dimensões, através do comprometimento das relações afetivas de trabalho, da família, bem como trazendo sérios danos à saúde física e mental, como também vulnerabilidade socioeconômica e problemas legais. Ademais, existem os danos secundários que o abuso dessas substâncias pode provocar, como acidentes de trânsito, violências diversas, envenenamento, danos cardiovasculares, neurológicos, psiquiátricos entre outras.

Apesar de a população de adictos estar crescendo simultaneamente com o a quantidade de Comunidades Terapêuticas (CT), existem poucas evidências com enfoque na detecção das particularidades do perfil do uso de drogas e do rastreamento dos transtornos mentais dos(as) usuários (as) de crack e cocaína no Brasil, destacadamente no Nordeste. Por tal razão, justifica-se a realização do presente estudo com a hipótese de que a identificação do perfil propicia a sugestão de protocolos de tratamento e rastreamento, bem como a construção de uma metodologia de detecção rápida para o monitoramento no cunho clínico e social e, portanto, essas estratégias se fazem necessárias para medidas de intervenção à atenção aos(as) usuários(as) de SPA.

A partir do exposto, esse estudo almejou descrever o perfil da população usuária de crack e cocaína, a qual procura tratamento nas CT e atenção social no Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situações de Rua (CENTRO POP), visto que esses usuários necessitam cada vez mais de um olhar específico e diferenciado.

O objetivo desse estudo foi identificar as características socioeconômicas, o padrão de uso das SPA e os transtornos mentais associados ao uso de crack e cocaína.

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