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Aspectos da Violência Obstétrica Institucionalizada

O processo de trabalho de parto e parto compreendem acontecimentos que transformam a mulher em suas dimensões biopsicossociais, afetando sua trajetória de vida, assim como a de todos os envolvidos, constituindo uma experiência que pode deixar marcas para toda a sua vida.

Aspectos da Violência Obstétrica Institucionalizada

Aspectos da Violência Obstétrica Institucionalizada. Foto: Divulgação

Ao longo dos anos, tem-se observado transformação das percepções culturais acerca do parto e do nascimento, consolidando-os como eventos institucionalizados, técnicos e medicalizados, nos quais a mulher foi perdendo sua autonomia durante o vivenciar deste processo, com o parto vaginal tornando-se uma ocorrência desconhecida e amedrontadora.

Medicina obstétrica

Os avanços científicos da medicina obstétrica favoreceram o nascimento no ambiente hospitalar, caracterizado pela adoção de várias tecnologias e procedimentos com o objetivo de torná-lo mais seguro. Isto permitiu a concretização de um modelo que considera a gravidez, o parto e o nascimento como doenças, instituindo a parturiente enquanto paciente, sem protagonismo nem direito sobre o próprio corpo, e muitas vezes desrespeitada como ser humano e cidadã.

Assim, enraizou-se um modelo de atenção que muitas vezes impede o papel de protagonista da mulher frente ao parto, desqualifica o saber popular e desconsidera as necessidades dos sujeitos frente ao saber científico, expondo as mulheres e recém-nascidos a altas taxas de intervenções, que deveriam ser utilizadas apenas em situações de necessidade.

Vê-se, portanto, a vulnerabilidade das parturientes a situações de violência que se perfazem através de práticas presentes nas instituições de saúde, multifacetadas e manifestadas nas relações de poder, na manipulação do corpo feminino, através da comunicação, na forma de serviço ou como violação de direitos.

Violência obstétrica

Em vista da inadequabilidade de um modelo hegemônico que tem porporcionado a realização indiscriminada de cesarianas e índices de morte materna incompatíveis com o nível de desenvolvimento do país, em 2011, o Governo Federal Brasileiro [1] propôs a estratégia da Rede Cegonha que visa a implementação de um novo modelo de atenção ao parto e ao nascimento. No entanto, ainda é possível observar na rotina de alguns profissionais de saúde, que atuam na atenção ao parto normal, práticas não recomendadas pelas evidências científicas, que trazem sofrimento a esta experiência humana e caracterizam-se como expressões de violência.

Assim, esse novo modelo preconiza o desenvolvimento de uma assistência obstétrica norteada pela humanização, que privilegia o bem-estar da mulher e seu bebê ao considerar os processos fisiológicos, psicológicos e o contexto sociocultural, apoiados na capacidade técnica dos profissionais de saúde para o acompanhamento contínuo da gestação e parturição, estimulando o protagonismo da mulher durante o parto.

Diante do contexto da necessidade de mudanças e de fortalecimento do modelo de cuidado à saúde materno-infantil pautado na humanização, surgiu o questionamento: como se dá o cuidado à mulher acerca do trabalho de parto e parto a partir de suas experiências e percepções? Acredita-se que as vivências quanto ao significado atribuído pelas mulheres sobre o parto podem trazer subsídios que favoreçam a implementação de uma assistência humanizada ao processo de trabalho de parto e parto.

Com isso, este estudo objetivou descrever aspectos de violência obstétrica [2] vivenciada por mulheres durante o trabalho de parto e parto.

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