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Anseios das Profissionais de Enfermagem Gestantes Frente à Pandemia de Covid-19

A gestação é uma fase de muitas expectativas e incertezas para a maioria das mulheres. A emergência da pandemia de Covid-19 [1] multiplicou as dúvidas e angústias, com o adiamento de consultas e exames, e as medidas de distanciamento social adotadas para conter o avanço da doença. Enfermeiras, técnicas e auxiliares de Enfermagem que vivenciam a gravidez e puerpério durante a pandemia, enfrentam, ainda, vulnerabilidade adicional ao contágio decorrente das especificidades do trabalho.

Anseios das Profissionais de Enfermagem Gestantes Frente à Pandemia de Covid-19

Anseios das Profissionais de Enfermagem Gestantes Frente à Pandemia de Covid-19. Foto: Divulgação

Assim, até o dia 03 de junho de 2020, a pandemia da COVID-19 atingiu quantitativo de 6.194.553 casos confirmados e mais de 376.520 mortes no mundo, sendo registrados no Brasil mais de 560.737 casos e 31.417 mortes. Antes mesmo da confirmação do primeiro caso no país, o Ministério da Saúde (MS [2]) já havia decretado Emergência Sanitária, a partir da Lei nº 13.979 de 6 de fevereiro de 2020, sendo estabelecidas medidas de distanciamento do convívio social para a população em geral e quarentena para a população infectada. Desse modo, com relação ao ciclo gravídico-puerperal, o MS somente em abril lançou a nota técnica, que determinou que as gestantes e puérperas são consideradas como grupo de risco.

Saúde das mulheres gestantes

Epidemias de etiologia viral com frequência resultam em desfechos obstétricos negativos, incluindo a saúde materna, transmissão vertical e infecções perinatais. Experiências com outros tipos de coronavírus (SARS-COV e MERS-COV) sugerem que gestantes e fetos estão particularmente susceptíveis. A possibilidade de transmissão vertical, embora improvável, não foi definitivamente descartada. O medo decorrente dessas circunstâncias é potencializado pela recente experiência brasileira com o vírus da Zika [3], responsável pelo aumento dos casos de microcefalia, contribuindo para um cenário de angústias na gestação, que afeta também enfermeiras, técnicas e auxiliares de Enfermagem.

A Instrução Normativa nº 21/2020 [4] do Ministério da Economia, balizadora de condutas generalizadas no serviço público, estabeleceu, em 16 de março de 2020 o trabalho remoto para servidoras e empregadas publicas gestantes e lactantes enquanto perdurar o estado de emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19).]

Gestantes: grupo de risco para Covid-19

Como já mencionado, em abril, o MS incluiu explicitamente gestantes e puérperas no grupo de risco para a Covid-19, afirmando que estudos científicos apontam que a fisiopatologia do vírus H1N1 pode apresentar letalidade nesses grupos associados à história clínica de comorbidades dessas mulheres. Sendo assim, para a infecção pelo Covid-19, o risco é semelhante pelos mesmos motivos fisiológicos, embora ainda não tenha um estudo específico conclusivo. Portanto, os cuidados com gestantes e puérperas devem ser rigorosos e contínuos, independente do histórico clínico das pacientes.

Tais reconhecimentos não implicaram, porém, efeitos laborais imediatos, estando em curso ações judiciais para garantir o afastamento dos profissionais de Enfermagem integrantes de grupos de risco das funções que exijam contato direto com casos suspeitos de Covid-19. Pretende-se, neste estudo, compartilhar reflexões que emergiram no processo dos questionamentos que chegam ao Cofen [5], por meio de sua Ouvidoria. É a partir destas manifestações por enfermeiras, técnicas e auxiliares de Enfermagem que se propõe, reflexões sobre a percepção das profissionais sobre o ciclo gravídico-puerperal em tempos de pandemia.

Desse modo, o estudo objetivou refletir sobre a experiência dos pesquisadores quanto as demandas enviadas pelas profissionais de Enfermagem sobre à gestação, lactação e puerpério durante a pandemia de Covid-19.

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