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Administração de Medicamentos em um Serviço de Emergência: Ações Realizadas e Desafios Para Práticas Seguras

A qualidade dos serviços de saúde está intimamente relacionada à segurança do paciente, tema que tem sido discutido mundialmente nos últimos anos. Em 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS [1]) criou a Aliança Mundial para Segurança do Paciente com o objetivo de promover e desenvolver políticas e práticas referentes ao assunto em seus países-membros.

Administração de Medicamentos em um Serviço de Emergência: Ações Realizadas e Desafios Para Práticas Seguras

Administração de Medicamentos em um Serviço de Emergência: Ações Realizadas e Desafios Para Práticas Seguras. Foto: Divulgação

No Brasil, a temática tomou grande magnitude após o lançamento do Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), através da Portaria n° 529/2013, do Ministério da Saúde (MS) e da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA [2]) 36/2013, cujas diretrizes culminaram na criação do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), que corrobora com o propósito de redução de danos, instituindo ações para melhoria na qualidade da assistência prestada em todos os níveis de atenção à saúde. A segurança do paciente é definida pela ANVISA como redução dos riscos de danos desnecessários, denominado evento adverso, a um mínimo aceitável.

Erros de medicação

Nesse sentido, o erro de medicação constitui uma séria ameaça à saúde pública, é um desafio aos profissionais envolvidos, e pode ser definido como um evento evitável induzido pelo uso inapropriado do medicamento e com grande potencial para prejudicar a saúde do paciente. O processo de administrar medicamentos caracteriza-se por uma atividade dinâmica e complexa, que inclui a produção, a prescrição, a dispensação e a administração, que se inter-relacionam e podem influenciar positivamente na segurança ao paciente, podendo ocorrer em quaisquer desses processos.

Desta forma, padroniza-se a realização das diversas etapas de modo a resultar em um desfecho favorável, conhecidos como os “9 certos da administração” sendo eles: paciente certo, medicamento certo, via certa, hora certa, dose certa, registro certo, ação certa, forma certa e resposta certa. Os nove certos não garantem que os erros de administração não ocorrerão, mas segui-los pode prevenir significativamente parte desses eventos, resultando em segurança e qualidade da assistência prestada ao paciente.

Pesquisas apontam outras ações de segurança na redução do erro, como a identificação de medicações de alto risco; utilização de soluções tecnológicas, como prontuário eletrônico; criação de manuais explicativos e mudanças no processo de trabalho. Além disso, antes de administrar o medicamento pode-se utilizar o método de checar os itens corretos por dois enfermeiros, o “check-double”.

Administração de medicamentos

A partir dessas premissas, destacam-se as unidades de atendimento de urgência e emergência [3], como locais caracterizados pela superlotação e alta rotatividade de pacientes, que associados ao estresse, escassez de profissionais e falhas na comunicação da equipe, possuem grande vulnerabilidade aos eventos adversos. Dentre os profissionais de saúde, a equipe de enfermagem está mais suscetível a cometer erros, seja pelos procedimentos invasivos que realiza ou pelo tempo de permanência junto ao paciente, e dessa forma assume papel fundamental para preveni-los.

Nesse contexto, diante da relevância da correta administração de medicamentos [4] no serviço de emergência, surgiu a seguinte pergunta norteadora: quais ações a equipe de enfermagem tem realizado para alcançar a administração segura de medicamentos em um serviço de emergência? Desta maneira, o presente estudo tem como objetivo analisar as ações realizadas e os desafios da equipe de enfermagem para a administração segura de medicamentos no serviço de emergência de um hospital de ensino.

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